Análise: Segundo single do álbum The ArchAndroid (Suites II and III), da cantora Janelle Monáe com participação do rapper Big Boi. Lançado em Fevereiro de 2010.
Janelle... Janelle??
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Antes tarde do que nunca!
Não é só de Rihannas, Britneys e outros exemplares de Pop menos cotados que vive o mundo da música. Se você não suporta este R&B pseudomoderno da Rihanna, o fato da Britney não saber cantar e a Katy Perry começar a encher o saco, você tem alternativas mais musicalmente saudáveis. Claro que não estou pregando aqui a salvação universal do mundo da música, mas já é um começo. Você pode continuar ouvindo o seu ridículo "delícia, assim você me mata"...
Janelle Monáe (um dos nomes de artistas mais esquisitos de já conheci desde a Estelle Fanta) é uma moça do Kansas que, quando mais jovem, se mudou par Nova Iorque para estudar arte. Por lá, acabou esbarrando no rapper Big Boi (do sumido Outkast), que colocou a garota na direção de Sean Combs (o nominalmente indeciso rapper Puff Diddy). Combs resolveu verificar o portfólio de Janelle no MySpace e gostou do que viu. Ela então assinou com o gravadora de Combs, a Bad Boy Records e iniciou seu jornada musical.
Saído do primeiro álbum da moça, "Tightrope" é um Funk Soul bem animado e contagiante. De uma certa maneira, podemos considerá-la uma espécie de James Brown deste tempo - tanto no contágio de seu som quanto nos interessantes passos de dança. Projetos deste tipo tendo algum tipo de investimento e destaque é realmente de surpreender. É divertido e bem feito - o inverso de muita coisa por aí que ganha destaque por motivos errados (não é, Rihanna?).
Digamos que ela possa meio que ser considerada underground quando consideramos a atual situação do maintream. Mas o que é realmente gozado (ou não) é que você geralmente encontra muito mais criatividade e diversão neste pessoal - Sara Bareilles, Ingrid Michaelson, Kate Voegele... enfim, são muitas. Mas a Janelle tá em outra onda. Enquanto as citadas seguem uma linda mais Indie Pop, temos um puro exemplar do Funk vivo nos dias de hoje!
A batida de fundo parece ser uma versão acelerada da batida de fundo da canção "Hey Ya!" (influência do Big Boi?), que era um projeto igualmente divertido, mas que no fundo acabou não se sustentando e indo parar sabe-se lá onde. De qualquer maneira, Janelle (que é o que de melhor o Puffy Daddy fez em toda a sua vida) não será uma grande artista do mainstream, pode até acontecer, mas acho difícil. Mas não acho que ela deva realmente ligar para isso: hoje em dia ser do mainstream significa, em grande parte das vezes, perder a graça e os atrativos. Hoje em dia?
Análise: Primeiro single do álbum Biophilia, da cantora islandesa Björk. Lançado em Junho de 2011.
Björkistranha!
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Você aí acha que a Lady Gaga é a precursora de todo este, digamos, peculiar bizarrismo musical que temos rodando atualmente, com certeza nunca vi certos atos musicais em palco como David Bowie, Peter Gabriel (com o Genesis), Grace Jones e, é claro, a islandesa Björk. Todos eles têm seu grau de "estranheza". Para fazer rápidas citações aleatórias, a capa de Diamond Dogs do Bowie, Peter Gabriel em palco com sua fantasia de monstro (monstro-câncer?), a figura sempre surpreendente de Grace Jones e vídeo-clipes bizarros da Björk como "Pagan Poetry" e "Cocoon". Um vestido de carne não parece mais tão impactante? Sei lá...
A cantora Björk está na ativa desde meados dos anos 70. Seu mais famoso ato no mundo da música foi com a banda The Sugarcubes, que foi formado em 1986 e encerrou atividades em 1992. Daí para a frente, Björk montou sua carreira solo sobre uma linha mais alternativa. Aliás, ela pode ser considerada uma espécie de Midas (o tal rei que transformava em ouro tudo o que tocava), só que em vez de ouro, tudo o que ela toca torna-se incrivelmente alternativo...
Mas não é só o verso musical que é um imã para o singular na carreira dela. Em 1996, na cidade de Londres, um obsessivo fã chamado Ricardo López filmou a si mesmo fabricando uma carta-bomba de ácido destinada à cantora. No vídeo, López fala sobre sua obsessão, pensamentos sobre amor e outros, sua raiva contra o então namorada dela, o DJ Clifford Price (conhecido como Goldie), raspa a cabeça e se mata com um tiro na cabeça. A carta foi enviada para a cantora mas foi interceptada pela polícia. O fato abalou Björk, de maneira que ela deixou a Inglaterra e lançou um trabalho mais introspectivo e pessoal, o álbum Homogenic, gravado na Espanha.
Mas vamos ao que interessa...
"Crystalline" segue bem a linha do tipo de som que Björk costuma fazer. Nada que realmente surpreenda ou inove, mas é, digamos, mais do mesmo para quem curte este tipo de música. Aquele clima alternativo de sempre, os arranjos e colocações dos efeitos e instrumentos nada usual, os vocais característicos: encontra-se aqui tudo o que um fã da Björk precisa e está habituado.
Estranheza por estranheza, prefiro "Earth Intruders", canção do outro álbum que foi produzida juntamente com o modesto-mor do mundo da música, Timbaland. Não que eu ache que ele é realmente bom, mas de repente dele poderia ter dado mais uniformidade neste projeto. A coisa soa como música ambient (tipo um ambiente com pessoas de 3 olhos, que flutuam, etc...).
Usando a canção para análise, acho que dá para saber bem o que acontece com a criatividade hiperativa de quem passa muito tempo na Islândia - o pessoal do Berndsen é uma prova a mais que este lugar mexe com o criativo. Lady Gaga, teria você vivido por lá quando era a singela Stefani Germanotta? Eu consigo imaginar um iglu sendo dividido por todos eles: Björk, David Bowie, Grace Jones, Peter Gabriel e Lady Gaga, huaahuahuauhaha...