Mostrando postagens com marcador Quincy Jones. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Quincy Jones. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de maio de 2012

AMR - Pass At Me (Timbaland)

Análise: Segundo single do álbum Shock Value III do Timbaland. Lançado em Setembro de 2011, alcançou #104US e #40UK.



Timba quem mesmo?

———————————————–

Engraçado pensa que a pelo menos uns 5 anos o Timbaland saia por aí dizendo que era o melhor produtor de sua geração, tirando vantagem de seus feitos na indústria pelos cantos e esbanjando seu egocentrismo e falta de modéstia por todos os lados. E agora a situação parece ter se voltado contra ele. O desaparecido Timbaland chamou para participar do seu álbum o aparecido Pitbull, o famoso rapper arroz de festa. Se JK queria fazer 50 anos em 5, Timbaland resumiu um carreira inteira neste mesmo tempo. Vale lembrar que Quincy Jones tem mais de 50 anos de carreira e, apesar de não ter os holofotes sobre si (até porque, a esta altura, ele não quer nem precisa disso), continua requisitado e notório.

O terceiro álbum de Timbaland continua sobre o projeto "Shock Value", que consiste em composições misturando o Rap e o Hip Hop com outros estilos, geralmente relacionados aos artistas convidados. E como se pode analisar, a fórmula está desgastada e enfraquecida, já que partimos de um primeiro álbum consideravelmente bem sucedido, passando por um segundo álbum de pouquíssima repercussão e chegamos em um terceiro álbum que ainda não foi lançado, mas pelo fato de Timbaland correr o risco de ter que se apresentar novamente para pessoas que podem ter esquecido quem ele é já nos dá uma visão da coisa. (Se bem que só o fato dele não precisar explicar que não é um cosplay do Sherman Klump, o Professor Aloprado, já é uma grande coisa.)


O single em questão é basicamente um tipo de projeto pré-moldado já específico. O que significa que todas as canções do Pitbull tem que ter mais ou menos 50% de similaridade. E o fato de Timbaland ter dividido a produção com o David Guetta e mais algum agregado e a coisa soar como uma música do grupo LMFAO (um dos nomes mais estúpidos já dados a um projeto musical) só deixa a coisa mais confusa, com gosto de chiclete mascado. Pelo menos não teve nenhuma participação nada especial de gente como Lil Wayne pra deixar a coisa mais densa. Já se ouviu isso por aí antes e não há necessidade de repetição - já foi feito melhor e pior do que isso, o que torna tudo "encher linguiça".

Eu ia me perguntar o motivo de o Timbaland não sair por aí dizendo que é o cara, o melhor no que faz e etc nestes últimos dias, mas lembrei que primeiro ele tem que lembrar o pessoal de que eles está vivo. Já Pitbull vai continuar faturando por aí com suas aparições e dificilmente vai fazer algo igual a "I Know You Want Me (Calle Ocho)" e "Hotel Room Service" outra vez. David Guetta vai continuar exatamente na mesma por tempo indeterminado e a vida vai correndo. Fico me perguntando se o sumiço da Nelly Furtado e do Justin Timberlake tem algo a ver com o agouro do rapper...

domingo, 12 de dezembro de 2010

Especial - Michael, o Álbum


O Rei do Pop parcialmente pelas mãos dos outros...

Após 9 anos do lançamento do álbum Invincible, o último álbum de canções inéditas do Rei do Pop, recebemos neste mês de Dezembro um novo projeto. O álbum póstumo Michael. Tal álbum foi cercado de polêmica por muito artistas e fãs que acharam um desrespeito canções de Michael Jackson serem lançadas sem seu consentimento e o fato de familiares de fãs não acreditarem que parte dos vocais contidos nas canções não sejam originais. Eu pergunto se a Sony ou qualquer outra gravadora conseguiria trabalhar com o nome Michael Jackson sem causar tanto alvoroço - basta lembrarmos que na primeira versão da capa do novo álbum, aquele símbolo escroto que o Prince adotou como nome aparece sem motivo nem autorização.

Como infelizmente Jackson não conseguiu lançar seu esperado novo álbum nem conseguiu sua grande despedida dos palcos, resta aos fãs ouvir a série de álbuns que estão por vir. Projetos novos e antigos do Rei do Pop que por algum motivo não puderam ver a luz do dia.

Farei uma breve análise de cada faixa do álbum e depois sobre o próprio num contexto geral.

1 - "Hold My Hand" (com participação de Akon)


A faixa de abertura do álbum e também escolhido primeiro single. Escrita por Jackson, Akon e outro escritor adjunto, Giorgio Tuinfort, esta faixa estava programada para fazer parte do álbum Freedom, do Akon e também estava nos planos de Jackson para ser o primeiro single de seu próximo projeto - isso, de qualquer forma, aconteceu.

Esta canção é mais ou menos do tempo em que estava sendo produzido a edição comemorativa de 25 anos do álbum Thriller. E, assim como boa parte do que foi feito nesta nova versão do álbum, "Hold My Hand" soa um tanto fraca, sem ter a força e inspiração esperada. E isso é perfeitamente explicável tendo em vista a quantidade de pessoas que meteram a mão nestes projetos.

Um dos motivos de "Hold My Hand" não ter tido um grande desempenho nas paradas dos Estados Unidos (#50US) é que a canção já havia sido vazada na internet em 2008. Ou seja, teve uma grande rotação pelas rádios e ficou conhecida pelo público. Fora que a participação de Akon não ajuda em absolutamente nada - a impressão que tive é que MJ queria dar uma força pro Akon, permitindo que eles trabalhassem juntos, tamanha falta de expressão no trabalho do Akon aqui.

O vídeo-clipe inclui imagens de arquivo de Michael em shows, fotos com partes do Akon e outras cenas aleatórias.


2 - "Hollywood Tonight"

Esta foi escrita por Michael e Brad Buxer, compositor com quem MJ já havia trabalhado em outras ocasiões. Contém um beatbox feita por Jackson na introdução (uma de suas especialidades) e uma breve participação do produtor Teddy Riley. Não há muitas informações sobre esta canção por aí. Os vocais de Jackson estão um pouco contidos, aparentemente para dar destaque para a produção musical. Nos resta imaginar como seria esta canção se ela fosse verdadeiramente trabalhada por Michael, sendo moldada do jeito dele.

3 - "Keep Your Head Up"

Aqui temos um alvo polêmico. É a primeira faixa do álbum onde a veracidade dos vocais é questionada. Muitas pessoas acusam a Sony de colocar os vocais do cantor Jason Malachi no lugar dos de Michael Jackson - a semelhança entre as vozes é realmente impressionante, mas ainda sim existe uma mínima distinção. Talvez por Michael não ter terminado esta canção ou a demo não ter os vocais completos, os produtores da faixa resolveram complementar/preencher a canção com os vocais de Malachi imaginando que ninguém iria notar.

Fãs já se apressaram e fizeram vídeos onde são feitas comparações vocais entre Jackson e Malachi: http://www.youtube.com/watch?v=b9Q3dkZDVns

4 - "(I Like) The Way You Love Me"

Esta faixa não é novidade alguma para quem é fã de Jackson. A única novidade aqui é que a canção foi retrabalhada para o álbum Michael. A canção, escrita por Jackson, já havia sido lançada no box The Ultimate Collection, de 2004, juntamente com outras canções não lançadas anteriormente. A diferença principal é que a versão do box tinha mais cara de versão demo, enquanto nessa foi aplicada uma produção mais acentuada. Dificilmente será escolhida como single por não ter a representatividade necessária para tal.

5 - "Monster"

Os rumores envolvendo o nome "Monster" já vêm de muito tempo atrás. Mais ou menos em 2003, 2004, não lembro ao certo, este era o nome cotado para o novo álbum que Jackson estaria produzindo na época. Que talvez tivesse se concretizado se Gavin Arvizo não tivesse feito as falsas acusações de abuso sexual contra Jackson que culminaram em um julgamento em 2005 onde Jackson foi inocentado e Arvizo e sua mãe foram desmoralizados perante o juri com sua contradições e inconsistências nos depoimentos.

A faixa tem mais a cara de alguns momentos de Invincible, podendo ser material que ficou de fora da seleção final do álbum ainda contém a participação de 50 Cent que já havia sido cotado para trabalhar com Jackson em algum outro projeto (que finalmente acabamos de descobrir qual é).

6 - "Best of Joy"

Uma baladinha mais tranquila que me lembrou "Break of Dawn", porém esta é uma pouco mais contente. Uma canção simples e bonita que acabou sendo uma das últimas canções que Michael gravou, em 2009 (ano de sua morte). Apesar de ser uma canção bonita, acredito que tenha vindo parar neste álbum justamente por ter sido um dos últimos projetos realizados por Jackson - e possivelmente o melhor deles.

7 - "Breaking News"

O maior alvo de controversas com certeza foi esta faixa. A primeira do projeto Michael que foi apresentada ao público e que até foi liberada on-line. O grande problema dela é que, assim como "Keep Your Head Up", não dá para ter certeza se os vocais são realmente genuínos, se Jason Malachi não foi utilizado aqui para cobrir alguma parte da letra que ficou faltando.

A faixa tem a cara do Rei do Pop e a participação de Teddy Riley aqui é facilmente notada. O produtor de Invincible tem um estilo de produção autoral e deixa isso bem claro aqui. Pena que realmente não dá para confiar muito na Sony. É Michael Jackson ou não é?


8 - "(I Can't Make It) Another Day"

Esta faixa tem um trecho vazado na net pouco depois da morte de Michael, depois de um trecho de "A Place With No Name" (uma versão de Michael para o clássico da banda America, "A Horse With No Name"). Foi amplamente divulgada por ser um trabalho feito com Lenny Kravitz. Kravitz, que negou ser o responsável pelo vazamento, citou que trabalhou na produção da faixa e que tocou todos os instrumentos. A canção era pra compor o álbum Invincible, mas assim como várias e várias outras faixas, acabou saindo do tracklist. Kravitz então retrabalhou a canção e a lançou em 2004 sob o nome de "Storm", com participação do rapper Jay-Z.

Esta música me lembra um pouquinho o single vazado "Xscape", de 2002. A participação de Lenny mal é notada e os vocais de Jackson se mostram fortes como nunca. Um pouco mais de foco e esta canção poderia ter sido um hit pelo menos moderado nas rádios. Ainda contém partes vocais da canção "2 Bad" do álbum HIStory.

9 - "Behind The Mask"

A canção "Behind The Mask" já é na verdade bem rodada. Tudo começa com sua criação em 1979 pela banda Yellow Magic Orchestra, de Ryuichi Sakamoto. Em 1985, o tecladista Greg Phillinganes lança sua versão que teve partes na letra adicionadas por Michael. Por fim, em 1986 Eric Clapton lança sua versão Rock da canção. A versão de Phillinganes tem partes alteradas por Michael porque era intenção de Quincy Jones que esta canção fizesse parte do tracklist do álbum Thriller. Michael gostou da ideia e então gravaram a canção. Porém uma batalha legal impediu que os planos de Jackson e Jones fossem adiante. Desde então a canção passou pelas mãos de outros artistas.

A versão de Jackson, além da letra modificada, está bem diferente da original ou das versões de Phillinganes e Clapton. E talvez seja por isso que Ryuichi Sakamoto (ou seja lá quem detinha os direitos comerciais) tentou impedir o lançamento desta canção. De qualquer maneira, esta versão perdeu o impacto rocker que tinha e deu lugar a uma versão mais, digamos, "World Music", mais Pop mesmo. Ficou bem a cara do Rei.

Ou seja, notem que esta é uma gravação da época de Thriller.

Versão da Yellow Magic Orchestra, de 1979: http://www.youtube.com/watch?v=7DSue36BpH8
Versão de Greg Phillinganes, de 1985:http://www.youtube.com/watch?v=lHz1P6NGMCw
Versão de Eric Clapton, de 1986: http://www.youtube.com/watch?v=4N8GbyF4OcM
Versão de Michael Jackson, de 1982: http://www.youtube.com/watch?v=rRo-KsR5aJY

10 - "Much Too Soon"

A faixa que encerra o álbum também foi gravada durante a produção do álbum Thriller. Antigamente, fãs que sabiam da existência desta faixa imaginavam se tratar de alguma demo da canção "Gone Too Soon", devido a semelhança no nome. É uma canção bem tranquila e acredito que Quincy Jones tenha achado que ela destoava demais do clima do álbum - e se por um acaso foi isso que ocorreu, ele estava inteiramente correto. Escrita por Michael.

——————————————

No final das contas não é novidade nenhuma em dizer que este álbum acaba sendo apenas mais um veículo para a Sony ganhar dinheiro. Um dos maiores sonhos dos fãs é conhecer o imenso arquivo musica de Jackson, que deve ter gravado tantas canções não lançadas durante sua carreira que poderia ser lançado um álbum por ano por um bom período. Mas a coisa toda aqui acaba soando falsa e pretensiosa - do jeito que sabemos que Jackson jamais permitiria que acontecesse.

É triste, mas é a pura verdade. E se a Sony continuar sendo tão idiota, podem esperar por mais gravações inéditas de... Jason Malachi.

sábado, 24 de abril de 2010

AMR - Love Long Distance (Gossip)

Análise: Segundo single do álbum Music for Men, da banda indie Gossip. Lançado em Setembro de 2009, não alcançou nenhuma posição nos principais charts.


Tá aí uma banda de peso, principalmente pela parte da vocalista...

———————————————–

A banda indie-punk-dance (oww!) Gossip é no mínimo curiosa. Me lembro da primeira vez que os vi. Não ouvi nada deles, só os achei na net por um acaso, mas o que me chamou a atenção mesmo foi a figura da vocalista Beth Ditto. Uma cantora lésbica e bem, bem acima do peso. Ela faz performances bem ousadas em palco - o que não é exatamente algo novo ou inovador - mesmo com seu sobre-peso. O que torna a coisa no mínimo curiosa. Já imaginaram tipo a Lady Gaga com 120kg dançando "Bad Romance" no meio da platéia? Hauhauahuaha...


"Love Long Distance" reflete o padrão atual de qualidade das bandas que tocam o rock indie atual. No caso do Gossip, é um indie levemente preenchido com dance. Uma mistura que ficou muito bem executada pela banda. Esta parece ser a cara do que pode ser a música nesta nova década.

A canção é no fundo bem simples. Tem uma bateria pra segurar o ritmo de maneira interessante (quem ocupa o cargo na banda é uma mulher, Hannah Blilie), o piano bem acentuado (acredito que esta parte seja trabalho da vocalista). A propósito, a voz de Ditto é bem distinta. Acredito que se não fosse sua forma física, digamos, nada comercial, ela poderia ser jogada na mesma linha de jogo que cantoras como a Duffy. De qualquer forma, as performances devem ser muito legais.


Fora que o álbum foi produzido pelo guru-dos-artistas-que-estão-caídos-ou-que-querem-algo-diferente, Rick Rubin. Rubin está em forma, parecendo uma espécie de Quincy Jones ou George Martin versão underground.

A linha após o primeiro refrão faz referência a um dos maiores clássicos da música negra norte-americana, "I Heard It Through the Grapevine", gravado por Smokey Robinson e sua banda, o The Miracles, Gladys Knight e o seus The Pimps, a versão mais famosa com Marvin Gaye e por último, uma versão rock clássico com o Creedance Clearwater Revival.


Haja força no braço...

Enfim, "Love Long Distance" é uma canção muito atrativa, principalmente na atual situação do mercado fonográfico, onde tudo é muito igual, muito chato. Consegue angariar interesse com simplicidade. E o vídeo-clipe é mais um da linha indie/underground/alternativo. Criatividade sem limites!

Vídeo-clipe:

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Aconteceu - Jay-Z condena regravação de We Are The World


Jay-Z explicou sua ausência na regravação de "We Are The World". O rapper declarou que os artistas deveriam gravar uma nova música ao invés de remixar "We Are The World", clássico de Michael Jackson, 'tão intocável quanto Thriller'.

Sabendo que muitas pessoas estão se perguntando porque Jay-Z preferiu não participar da regravação de "We Are The World", o rapper compartilhou seu ' interessante ponto de vista a respeito'. Jay explicou que nada, mesmo que cheio de estrelas, poderá chegar próximo da gravação original.

"Eu sei que todos vão entender de forma errada: 'We Are The World', eu amo, entendo a causa e acho ótimo. Mas eu acho que 'We Are The World' é como 'Thriller' para mim. Não quero nem vê-lo sendo 'tocado' ".

"Eu sou fã de música. Eu sei o quão ruim é a situação no Haiti. Aplaudo os esforços: milhões foram arrecadados através de doações via mensagem de texto. Então, eu valorizo os esforços e tal, mas para mim 'We Are The World' é musicalmente intocável, assim como 'Thriller'. Algumas coisas são simplesmente intocáveis. É um esforço valioso, mas pra mim, continuará sendo intocável".

Depois dessas declarações à MTV, Jay-Z soltou um comunicado oficial, onde disse adorar a ideia de reciclar um clássico. "Como todos sabem, eu tenho um tremendo respeito por Quincy Jones. E claro, eu o acho genial, assim como o mundo. Mas penso que é hora de fazermos uma nova música. Eu tentei fazer isso com "Stranded". Eu não tentei fazer 'We Are The World', mas tentei mostrar o nosso lado, como nos sentimos".
Fonte : Popline

A vida é muito engraçada mesmo. Enquanto grandes lendas da música tomam decisões totalmente questionáveis, um rapper (estes que geralmente são tomados como desmiolados) faz uma das declarações mais sensatas dos últimos tempos.
Hova, hova!

Pra quem ainda não ouviu a canção (e tiver coragem) :

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Especial - We Are The World 25 for Haiti (por Reid)


Um infeliz acontecimento ocorreu logo no início de 2010: um desastre natural abateu o Haiti causando destruição, mortes e desolação. A situação do país ficou realmente terrível e triste.

Visto isso, vamos falar de uma iniciativa por parte de artistas para ajudar aquele país: uma nova versão do clássico "We Are The World". Canção composta por Michael Jackson e Lionel Richie, produzida por Quincy Jones e Michael Omartian e interpretada por vários artistas sob o nome de USA for Africa para ajudar os famintos daquele país.

O remake conta novamente com a supervisão de Quincy Jones e a participação de vários artistas atuais (a participação de Michael Jackson foi mantida, mostrando que pelo menos alguns porcento de bom senso estavam presentes no projeto).

Pergunta: Poderia uma canção clássica sendo refeita por artistas atuais dar certo?
Resposta: O que vale é a intenção, não?

A produção na parte musical não mudou muito simplesmente para manter o vínculo com o antigo projeto. Mas dentre as coisas que alguns chamam de "liberdade artística", eu chamo de "falta de noção" ou "ideía de jerico", temos até mesmo um rap. O que dizer?

Vou analisar a canção dividindo as classes artísticas dos artistas, na melhor ordem possível e analisar da maneira mais simples.

Temos Justin Bieber, Miley Cyrus e Nick Jonas dando suas contribuições. Mas por que? Bem, Miley até que se entende. Ao meu ver, ela é uma artista que está crescendo com força na música e tem uma conexão grande com o público juvenil. O que seria uma maneira de transmitir uma boa mensagem para esta faixa etária. Mas Bieber mais parece estar ali porque esqueceram de colocar na porta do estúdio uma placa escrita "apenas maiores de 1,50m". A participação dele acrescentou pouquíssimo - ou até mesmo nada - na introdução, principalmente se considerarmos Kenny Rogers. Sobre Nick Jonas é melhor simplesmente não falar nada - exatamente como sua participação foi.

Temos também Nicole Scherzinger e Jennifer Hudson. Bem, Nicole tem uma voz no máximo adequada. Infelizmente ela é o tipo de cantora que faz o tipo "até sei cantar, mas sei rebolar bem melhor". Mas acho que ela entrou no clima da coisa que conseguiu interpretar bem. Sobre Jennifer Hudson, ela tem um potencial imenso e foi uma das melhores escolhas no projeto. Grande revelação.

Temos artistas muito experientes como Tony Bennett e Barbra Streisand. O problema foi Bennett que resolveu mudar o tom da canção - talvez de propósito, talvez por não se lembrar como era a canção mesmo. Barbra e sua voz continuam melhores cada ano que passa. Pena que ela não participou da versão original.

As vozes bonitas e fortes de Josh Groban, Mary J. Blige, Celine Dion, Toni Braxton e até mesmo Fergie reforçam bem o projeto. Groban e Blige se mostram grandes artista de sua época assim como muitos artistas do USA for Africa se mostraram em suas épocas. Fora que Dion sempre consegue uma interpretação melhor que a outra - e aqui ela consegue mostrar isso mais uma vez.
A voz de P%nk está surpreendente. Apesar de não parecer, é uma das artistas de maior potencial de sua geração. Eles pesam no lado positivo da balança dos artistas deste projeto.

A parte do rap foi simplesmente constrangedora. Só porque rap é um dos novos sons da década - era pra ser apenas da década passada, mas pelo visto essa praga vai se estender através do tempo - eles acharam que seria legal incluir aqui. Mas é bom observar que o new-wave e sonoridades como a do B-52s e do Duran Duran não estavam exatamente presente no projeto anterior...

LL Cool J, Will.I.Am, Snoop Dogg, Busta Rhymes, Kanye West e outros menos cotados são responsáveis pelo momento mais constrangedor da canção. E mais impressionante que isso é o fato de West não se sentir incomodado por ter que dividir espaço com outro rapper ou outro artista. Estranho. Enfim, o tipo de idéia que devia ter ficado na cabeça de quem quer que tenha ousado pensar nisso.

Akon, T-Pain e Lil Wayne resolvem mostrar que definitivamente não sabem cantar ao inundar suas participações no auto-tune. Na época do projeto original, entrava no estúdio quem sabia cantar. Agora entra quem tem duas pernas e coordenação motora o bastante para ir na direção da porta. Triste, muito triste. E dispensável.

Michael Jackson está no projeto. Pena que só uma colagem de sua participação original e não sua presença em estúdio. Sua presença foi apenas em corações. É bom ver que fizeram exatemente algo que ele faria para ajudar aos outros.

Houveram muitos e muitos outros artista no projeto. Mas infelizmente isso não fez dele mais relevante. Uma nova canção talvez seria mais interessante e certa para o objetivo, pois comparações são inevitáveis. O que acontece aqui é que, musicalmente falando, não fez diferença alguma. E o que valeu mesmo foi a intenção. Mas, claro, parabéns aos artistas pela iniciativa.

Que Deus proteja os haitianos e os ajude neste momento tão difícil.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Especial - We Are The World 25 for Haiti (por Ms. Valentini)

Aviso aos navegantes : os comentários críticos aqui não são referentes à tragédia no Haiti em si, mas tão somente à regravação de We Are The World.



Há cerca de 25 anos, Michael Jackson e Lionel Richie se juntaram ao já lendário Quincy Jones para produzir uma canção, cujos ganhos seriam destinados ao pagamento de dívidas externas de países africanos. A letra foi escrita em meia hora por Richie (com a ajuda de Jackson), mas passou a mensagem adequada. Assim, 47 artistas - MJ, Richie, Ray Charles, Stevie Wonder, Diana Ross, Bob Dylan, Bruce Springsteen, entre outros - se juntaram sob o projeto "USA for Africa" para gravar We Are The World.

Como vocês podem perceber, o projeto não deu muito certo : apesar de a canção ter ganhado múltiplos discos de platina e ter se tornado hit em vários países - inclusive conseguindo #1US e #1UK - seriam necessários alguns trilhões de dólares a mais para que o problema em questão fosse resolvido. Mas, pelo menos, nos restou uma canção digna de nota....diferente do que temos aqui agora : We Are The World 25 : for Haiti vai conseguir a proeza de ser um Fail duplo - o dinheiro arrecadado pela canção, principalmente nesses tempos de crise da indústria fonográfica, não será lá significativo como ajuda na reconstrução do país, e, finalmente, o objetivo deste especial : mesmo com Quincy Jones no comando da produção, os artistas envolvidos conseguiram metralhar quase todo o belo trabalho de Jackson e Richie.

Mas por que toda essa agressividade? Eu te respondo : algo que tem Lil' Wayne no meio só pode ser um desastre tão grande quanto a ocorrência de um terremoto.

Para começar a canção, quem melhor para tomar o lugar de Lionel Richie do que....Justin Bieber? Eu fico imaginando quem foi o gênio que mudou a lista de artistas convidados de "grandes ídolos da música" para "sensações adolescentes da Disney". Bieber ainda entrega vocais chorosos, um tanto quanto irritantes, que deixariam as vítimas do desastre mais desesperadas ainda. Jennifer Hudson (American Idol, Dreamgirls) substitui Stevie Wonder graciosamente, com seus vocais poderosos. Jennifer Nettles e alguma espécie de sósia de Marcos Mion fazem o verso de Paul Simon e Kenny Rogers sem problemas.

Finalmente alguma espécie de ídolo entra em jogo : Tony Bennett participa da canção, no lugar de James Ingram. Mary J. Blige faz a parte de Tina Turner, mas deveria mesmo é ter substituído Stevie Wonder, porque está usando um óculos tão grande que não deveria estar vendo nada mesmo.

Na sequência, parece que o bom senso deu as caras por aqui e fez com que Michael Jackson fosse mantido no refrão. Há uma tentativa de dueto entre o cantor e sua irmã Janet - o que não dá certo porque parece que alguém cortou o áudio da cantora. Os dois aparecem lado a lado no vídeo, e o curioso é que parecem ser a mesma pessoa, com cortes de cabelo diferentes. Barbra Streisand substitui Diana Ross, algo totalmente aceitável. Só que a Disney ataca novamente aqui com a aparição de Miley Cyrus, no lugar de Dionne Warwick - mas no quesito vocal, até que foi uma "escolha" adequada. Henrique Inglesias canta uma versão modificada da canção e Nicole Schewzkjsdfhk (Pussycat Dolls) continua. Jamie Foxx canta o último verso (modificado) antes do que era o refrão e...

Wyclef Jean encarna um peru para cantar algo não muito inteligível que substitui o verso "We Are The World". Provavelmente o mesmo verso dito em "haitiano" (??). E, não, não - Stevie Wonder não participou do remake, é só Adam Levine do Maroon 5. Então uma boa surpresa : P&nk substitui Steve Perry com muita emoção. Michael novamente permanece no começo da ponte e Usher carrega o tom muito bem. E o que dizer de Celine então? O verso mais escandaloso da canção agora parece mais com uma melodia e não com um susto cantado de Cindy Lauper! Fergie toma o posto de Kim Carnes, e...bem, não se compara à Dion - o que diminui a energia daquele momento, mesmo com o reforço de Celine como "backing vocal". Um coral no refrão e sem problemas. Nick Jonas canta rapidamente, mas felizmente desaparece tão rápido quanto entrou. A sumida Toni Braxton dá o seu alô, junto com alguns artistas não muito populares.

Mas é aqui que suspeitamos que a idade de Quincy talvez possa estar pesando : Lil' Wayne, Akon e T-Pain "cantam" com a ajuda de Auto-Tune e, após o final do verso, começa um rap - sim, um rap - com nomes como Snoop Dogg, Will.I.Am (que aliás, tem o dom de estragar músicas de Michael Jackson), LL Cool J, Swizz Beatz e o rei do amor ao próximo, Kanye West. Felizmente, eles cantam em coral e não é possível reconhecer nitidamente a voz de qualquer um deles. Wyclef insiste com seus berros de vez em quando, Kanye e Will arriscam mais algumas rimas "pouco" redundantes - que na verdade devem ter sido retiradas de qualquer letra de algum de seus álbuns - mas logo a música acaba com Jean perpetuando sua chatice.



Enfim, em minha cabeça, rolou um misto de decepção, irritação e questionamento - mas mais do que isso, a canção proporcionou um interessante resumo da metamorfose pela qual a música popular passou nesses últimos 25 anos.

A ausência de grandes nomes do rock mostra a falta de valor (para o mainstream) que o gênero tem nos dias de hoje. Carlos Santana é representado por sua guitarra, mas não mais que isso. E não, P#nk não é um grande nome do rock - é uma boa intérprete, mas seu punk rock (ou P!nk rock, sei lá) cheira mais a pop rock do que qualquer outra coisa. Em contrapartida, é óbvio que o hip-hop está muito presente na nova versão; a partir da participação de Jennifer H., nota-se o uso de batidas eletrônicas comuns a maioria dos trabalhos de rappers e cantoras de R&B - as quais acabam compondo mais ou menos 99.9% dos singles, porque rappers se metem em tudo quanto é buraco.

Quando Cher utilizou o Auto-Tune ostensivamente em seu álbum Living Proof, foi porque o projeto era um dance pop - até porque você pode não gostar da voz dessa cigana, mas que ela tem técnica, ela tem - porém, todos sabemos que o programa de computador é usado para habilitar (de maneira bem deficiente) pessoas que não tem muito ou nenhum talento para cantar de fato. Exemplos : rappers e até mesmo "cantores" com carteira registrada, digamos. O que era usado para remendar trechos em que os artistas não conseguiam atingir as notas harmoniosas, tornou-se um acessório quase que obrigatório para uma música ser tocada numa rádio pop - só as ditas "divas" e compositores/surfistas conseguem escapar (e às vezes não querem) do domínio que o utensílio conquistou.

Nos anos 80, tivemos os Kids On The Block; nos anos 90, Spice Girls, Take That, Britney Spears....e nos anos 2000, Miley Cyrus, Justin Bieber, Jonas Brothers. Na verdade, o teen pop nunca saiu bem de moda, mas ele nunca havia sido representado num projeto como o de Michael Jackson, Quincy Jones e Lionel Richie. Tudo aqui parece funcionar para que o single tenha o maior airplay possível - o que por um lado é bom, já que vai gerar mais renda para o Haiti. Só que por outro decepciona; o trabalho original conta com grandes gênios e ídolos da música (que, sim, já eram grandes nomes em 1985), e a expectativa era de que fosse ser igualmente icônico. Sabemos que tudo aconteceu muito rápido - os artistas já estavam em Los Angeles para o Grammy 2010 na ocasião, e a regravação da canção estava marcada antes do acontecimento do terremoto e depois foi remarcada emergencialmente - só que pensávamos que a mão de Quincy traria um belo trabalho novamente.

Pode parecer pura crítica nostálgica, mas a verdade é que o imediatismo com que estão sendo feitas as coisas e os ídolos que estamos cultivando no século XXI são a verdadeira preocupação de pessoas como eu, que amam música e querem preservá-la como uma das grandes criações da humanidade.

Aliás, já que tudo está mudado mesmo, deveriam ter chamado a Solange do Big Brother para ser a nova letrista da canção....

Como já diziam Michael Jackson e Paul Anka : This Is It!

Vídeo da canção :

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Quick - Famosos se reúnem hoje para regravar 'We Are The World'


Quincy Jones e seus 76 anos : Não para, não para, não para não!
25 anos depois que o hino “We are the world”, cantado por dezenas de estrelas conseguiu arrecadar milhões de dólares para a luta contra a fome na África, celebridades da nova geração se reúnem nesta segunda-feira (1º) para regravar a música em prol do Haiti.
Entre os músicos confirmados para cantar na nova versão da faixa estão Jason Mraz, Bono, Wyclef Jean, Carlos Santana, Enrique Iglesias, Usher e Toni Braxton. A sessão vai acontecer no mesmo estúdio onde foi gravada a música original – o histórico complexo A&M em Hollywood.
Quincy Jones, que produziu o hino de 1985, anunciou na última semana que planejava regravar a canção em benefício do Haiti, atingido por um terremoto devastador no dia 12 de janeiro.
A sessão era um dos principais assuntos nas festas pós-Grammy, na noite deste domingo (31). O produtor musical RedOne (produtor de Poker Face, Just Dance, Bad Romance) disse que receber o convite para participar do single “é a maior honra que um músico pode ter”.

“Com Quincy, nosso padrinho musical (...) e Lionel Richie me convidando para contribuir e ajudar, eu só poderias dizer sim, porque isso não é para mim”, explica. “É pelo Haiti”.

Escrito por Michael Jackson e Richie, a versão original de “We are the world” chegou ao topo das paradas quando foi lançada nas rádios e lojas de discos em março de 1985.
Um número sem precedentes de estrelas da música se reuniu no A&M na noite de28 de janeiro de 1985, logo após o American Music Awards, para gravar a faixa. A música teve a participação de 45 artistas, incluindo Jackson, Richie, Stevie Wonder, Tina Turner, Ray Charles, Bruce Springsteen, Diana Ross, Bob Dylan e Cyndi Lauper.
O single arrecadou mais de US$ 30 milhões para a USA for Africa, uma organização sem fins lucrativos fundada pelos cantores para ajudar no combate à fome em nações africanas.
Fonte : G1
Edit : GaGa não participou da gravação.

Ainda bem que o Quincy tá aí pra coordenar essa bagunça - imagina se fosse só o RedOne produzindo :

Momomomo
We a-a-a-a-a-a-a-a-re the world
Popopopopo
We a-a-a-a-a-a-a-a-re the children
Ohh la la