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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

AMR - Hallelujah (Timberlake & Matt Morris)

Análise: Single lançado agora em Janeiro, em prol das vítimas do desastre ocorrido no Haiti no começo deste ano. Chegando a #3US, é uma regravação do clássico de Leonard Cohen.


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"Hallelujah" é uma música muito melancólica que coincide em emocional com a triste situação do Haiti. Neste sentido, foi a melhor música escolhida para este projeto até então (considerando os mais famosos como "We Are The World 25" e "Everybody Hurts"). Leonard Cohen criou um clássico resistente ao tempo, coisa muito difícil de perpetuar.
Nesta versão temos as atuações Matt Morris, Charlie Sexton e Justin Timberlake. Matt é um músico e compositor filho do artista country Gary Morris. Charlie Sexton é um guitarrista e compositor famoso por acompanhar Bob Dylan em certos momentos de sua carreira. E Timberlake dispensa apresentações.

Vemos que Justin sabe martelar um piano com certo domínio. Oh, surpreendente? Bem, sua voz não teve o poder de minar o projeto, pois a força da canção é tão grande que precisaria mais do que uma voz de algum tipo de animal desmamado para fazê-lo. Mas o fato aqui é que Timberlake tem uma atuação na medida, o que assusta e impressiona. Afinal, ele não usa notas altas neste projeto, o que garante que ele não pague o clássico mico de desafinar e/ou se utilizar de maneirismos vocais bizarros, coisa que aliás, nem deve ser maneirismo ("Gone, Gone"). Ou seja, o fato dele cantar como se estivesse rezando ajuda e muito.
Apesar da pequena pedra no caminho, se tornou uma versão muito bonita. Claro, não tão bonita quanto a interpretação de Kate Voegele apenas no violão. Aquilo sim é cantar com emoção. Morris e Sexton são muito competentes e ajudam o projeto no quesito emocional.

Estranho, muito estranho, mas Timberlake teve uma atuação boa. O perigo é que graças a isso possa voltar a chover aqui no Brasil. Isso se o que já choveu não foi culpa dele mesmo...
Vídeo de uma apresentação:

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Especial - We Are The World 25 for Haiti (por Reid)


Um infeliz acontecimento ocorreu logo no início de 2010: um desastre natural abateu o Haiti causando destruição, mortes e desolação. A situação do país ficou realmente terrível e triste.

Visto isso, vamos falar de uma iniciativa por parte de artistas para ajudar aquele país: uma nova versão do clássico "We Are The World". Canção composta por Michael Jackson e Lionel Richie, produzida por Quincy Jones e Michael Omartian e interpretada por vários artistas sob o nome de USA for Africa para ajudar os famintos daquele país.

O remake conta novamente com a supervisão de Quincy Jones e a participação de vários artistas atuais (a participação de Michael Jackson foi mantida, mostrando que pelo menos alguns porcento de bom senso estavam presentes no projeto).

Pergunta: Poderia uma canção clássica sendo refeita por artistas atuais dar certo?
Resposta: O que vale é a intenção, não?

A produção na parte musical não mudou muito simplesmente para manter o vínculo com o antigo projeto. Mas dentre as coisas que alguns chamam de "liberdade artística", eu chamo de "falta de noção" ou "ideía de jerico", temos até mesmo um rap. O que dizer?

Vou analisar a canção dividindo as classes artísticas dos artistas, na melhor ordem possível e analisar da maneira mais simples.

Temos Justin Bieber, Miley Cyrus e Nick Jonas dando suas contribuições. Mas por que? Bem, Miley até que se entende. Ao meu ver, ela é uma artista que está crescendo com força na música e tem uma conexão grande com o público juvenil. O que seria uma maneira de transmitir uma boa mensagem para esta faixa etária. Mas Bieber mais parece estar ali porque esqueceram de colocar na porta do estúdio uma placa escrita "apenas maiores de 1,50m". A participação dele acrescentou pouquíssimo - ou até mesmo nada - na introdução, principalmente se considerarmos Kenny Rogers. Sobre Nick Jonas é melhor simplesmente não falar nada - exatamente como sua participação foi.

Temos também Nicole Scherzinger e Jennifer Hudson. Bem, Nicole tem uma voz no máximo adequada. Infelizmente ela é o tipo de cantora que faz o tipo "até sei cantar, mas sei rebolar bem melhor". Mas acho que ela entrou no clima da coisa que conseguiu interpretar bem. Sobre Jennifer Hudson, ela tem um potencial imenso e foi uma das melhores escolhas no projeto. Grande revelação.

Temos artistas muito experientes como Tony Bennett e Barbra Streisand. O problema foi Bennett que resolveu mudar o tom da canção - talvez de propósito, talvez por não se lembrar como era a canção mesmo. Barbra e sua voz continuam melhores cada ano que passa. Pena que ela não participou da versão original.

As vozes bonitas e fortes de Josh Groban, Mary J. Blige, Celine Dion, Toni Braxton e até mesmo Fergie reforçam bem o projeto. Groban e Blige se mostram grandes artista de sua época assim como muitos artistas do USA for Africa se mostraram em suas épocas. Fora que Dion sempre consegue uma interpretação melhor que a outra - e aqui ela consegue mostrar isso mais uma vez.
A voz de P%nk está surpreendente. Apesar de não parecer, é uma das artistas de maior potencial de sua geração. Eles pesam no lado positivo da balança dos artistas deste projeto.

A parte do rap foi simplesmente constrangedora. Só porque rap é um dos novos sons da década - era pra ser apenas da década passada, mas pelo visto essa praga vai se estender através do tempo - eles acharam que seria legal incluir aqui. Mas é bom observar que o new-wave e sonoridades como a do B-52s e do Duran Duran não estavam exatamente presente no projeto anterior...

LL Cool J, Will.I.Am, Snoop Dogg, Busta Rhymes, Kanye West e outros menos cotados são responsáveis pelo momento mais constrangedor da canção. E mais impressionante que isso é o fato de West não se sentir incomodado por ter que dividir espaço com outro rapper ou outro artista. Estranho. Enfim, o tipo de idéia que devia ter ficado na cabeça de quem quer que tenha ousado pensar nisso.

Akon, T-Pain e Lil Wayne resolvem mostrar que definitivamente não sabem cantar ao inundar suas participações no auto-tune. Na época do projeto original, entrava no estúdio quem sabia cantar. Agora entra quem tem duas pernas e coordenação motora o bastante para ir na direção da porta. Triste, muito triste. E dispensável.

Michael Jackson está no projeto. Pena que só uma colagem de sua participação original e não sua presença em estúdio. Sua presença foi apenas em corações. É bom ver que fizeram exatemente algo que ele faria para ajudar aos outros.

Houveram muitos e muitos outros artista no projeto. Mas infelizmente isso não fez dele mais relevante. Uma nova canção talvez seria mais interessante e certa para o objetivo, pois comparações são inevitáveis. O que acontece aqui é que, musicalmente falando, não fez diferença alguma. E o que valeu mesmo foi a intenção. Mas, claro, parabéns aos artistas pela iniciativa.

Que Deus proteja os haitianos e os ajude neste momento tão difícil.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Especial - We Are The World 25 for Haiti (por Ms. Valentini)

Aviso aos navegantes : os comentários críticos aqui não são referentes à tragédia no Haiti em si, mas tão somente à regravação de We Are The World.



Há cerca de 25 anos, Michael Jackson e Lionel Richie se juntaram ao já lendário Quincy Jones para produzir uma canção, cujos ganhos seriam destinados ao pagamento de dívidas externas de países africanos. A letra foi escrita em meia hora por Richie (com a ajuda de Jackson), mas passou a mensagem adequada. Assim, 47 artistas - MJ, Richie, Ray Charles, Stevie Wonder, Diana Ross, Bob Dylan, Bruce Springsteen, entre outros - se juntaram sob o projeto "USA for Africa" para gravar We Are The World.

Como vocês podem perceber, o projeto não deu muito certo : apesar de a canção ter ganhado múltiplos discos de platina e ter se tornado hit em vários países - inclusive conseguindo #1US e #1UK - seriam necessários alguns trilhões de dólares a mais para que o problema em questão fosse resolvido. Mas, pelo menos, nos restou uma canção digna de nota....diferente do que temos aqui agora : We Are The World 25 : for Haiti vai conseguir a proeza de ser um Fail duplo - o dinheiro arrecadado pela canção, principalmente nesses tempos de crise da indústria fonográfica, não será lá significativo como ajuda na reconstrução do país, e, finalmente, o objetivo deste especial : mesmo com Quincy Jones no comando da produção, os artistas envolvidos conseguiram metralhar quase todo o belo trabalho de Jackson e Richie.

Mas por que toda essa agressividade? Eu te respondo : algo que tem Lil' Wayne no meio só pode ser um desastre tão grande quanto a ocorrência de um terremoto.

Para começar a canção, quem melhor para tomar o lugar de Lionel Richie do que....Justin Bieber? Eu fico imaginando quem foi o gênio que mudou a lista de artistas convidados de "grandes ídolos da música" para "sensações adolescentes da Disney". Bieber ainda entrega vocais chorosos, um tanto quanto irritantes, que deixariam as vítimas do desastre mais desesperadas ainda. Jennifer Hudson (American Idol, Dreamgirls) substitui Stevie Wonder graciosamente, com seus vocais poderosos. Jennifer Nettles e alguma espécie de sósia de Marcos Mion fazem o verso de Paul Simon e Kenny Rogers sem problemas.

Finalmente alguma espécie de ídolo entra em jogo : Tony Bennett participa da canção, no lugar de James Ingram. Mary J. Blige faz a parte de Tina Turner, mas deveria mesmo é ter substituído Stevie Wonder, porque está usando um óculos tão grande que não deveria estar vendo nada mesmo.

Na sequência, parece que o bom senso deu as caras por aqui e fez com que Michael Jackson fosse mantido no refrão. Há uma tentativa de dueto entre o cantor e sua irmã Janet - o que não dá certo porque parece que alguém cortou o áudio da cantora. Os dois aparecem lado a lado no vídeo, e o curioso é que parecem ser a mesma pessoa, com cortes de cabelo diferentes. Barbra Streisand substitui Diana Ross, algo totalmente aceitável. Só que a Disney ataca novamente aqui com a aparição de Miley Cyrus, no lugar de Dionne Warwick - mas no quesito vocal, até que foi uma "escolha" adequada. Henrique Inglesias canta uma versão modificada da canção e Nicole Schewzkjsdfhk (Pussycat Dolls) continua. Jamie Foxx canta o último verso (modificado) antes do que era o refrão e...

Wyclef Jean encarna um peru para cantar algo não muito inteligível que substitui o verso "We Are The World". Provavelmente o mesmo verso dito em "haitiano" (??). E, não, não - Stevie Wonder não participou do remake, é só Adam Levine do Maroon 5. Então uma boa surpresa : P&nk substitui Steve Perry com muita emoção. Michael novamente permanece no começo da ponte e Usher carrega o tom muito bem. E o que dizer de Celine então? O verso mais escandaloso da canção agora parece mais com uma melodia e não com um susto cantado de Cindy Lauper! Fergie toma o posto de Kim Carnes, e...bem, não se compara à Dion - o que diminui a energia daquele momento, mesmo com o reforço de Celine como "backing vocal". Um coral no refrão e sem problemas. Nick Jonas canta rapidamente, mas felizmente desaparece tão rápido quanto entrou. A sumida Toni Braxton dá o seu alô, junto com alguns artistas não muito populares.

Mas é aqui que suspeitamos que a idade de Quincy talvez possa estar pesando : Lil' Wayne, Akon e T-Pain "cantam" com a ajuda de Auto-Tune e, após o final do verso, começa um rap - sim, um rap - com nomes como Snoop Dogg, Will.I.Am (que aliás, tem o dom de estragar músicas de Michael Jackson), LL Cool J, Swizz Beatz e o rei do amor ao próximo, Kanye West. Felizmente, eles cantam em coral e não é possível reconhecer nitidamente a voz de qualquer um deles. Wyclef insiste com seus berros de vez em quando, Kanye e Will arriscam mais algumas rimas "pouco" redundantes - que na verdade devem ter sido retiradas de qualquer letra de algum de seus álbuns - mas logo a música acaba com Jean perpetuando sua chatice.



Enfim, em minha cabeça, rolou um misto de decepção, irritação e questionamento - mas mais do que isso, a canção proporcionou um interessante resumo da metamorfose pela qual a música popular passou nesses últimos 25 anos.

A ausência de grandes nomes do rock mostra a falta de valor (para o mainstream) que o gênero tem nos dias de hoje. Carlos Santana é representado por sua guitarra, mas não mais que isso. E não, P#nk não é um grande nome do rock - é uma boa intérprete, mas seu punk rock (ou P!nk rock, sei lá) cheira mais a pop rock do que qualquer outra coisa. Em contrapartida, é óbvio que o hip-hop está muito presente na nova versão; a partir da participação de Jennifer H., nota-se o uso de batidas eletrônicas comuns a maioria dos trabalhos de rappers e cantoras de R&B - as quais acabam compondo mais ou menos 99.9% dos singles, porque rappers se metem em tudo quanto é buraco.

Quando Cher utilizou o Auto-Tune ostensivamente em seu álbum Living Proof, foi porque o projeto era um dance pop - até porque você pode não gostar da voz dessa cigana, mas que ela tem técnica, ela tem - porém, todos sabemos que o programa de computador é usado para habilitar (de maneira bem deficiente) pessoas que não tem muito ou nenhum talento para cantar de fato. Exemplos : rappers e até mesmo "cantores" com carteira registrada, digamos. O que era usado para remendar trechos em que os artistas não conseguiam atingir as notas harmoniosas, tornou-se um acessório quase que obrigatório para uma música ser tocada numa rádio pop - só as ditas "divas" e compositores/surfistas conseguem escapar (e às vezes não querem) do domínio que o utensílio conquistou.

Nos anos 80, tivemos os Kids On The Block; nos anos 90, Spice Girls, Take That, Britney Spears....e nos anos 2000, Miley Cyrus, Justin Bieber, Jonas Brothers. Na verdade, o teen pop nunca saiu bem de moda, mas ele nunca havia sido representado num projeto como o de Michael Jackson, Quincy Jones e Lionel Richie. Tudo aqui parece funcionar para que o single tenha o maior airplay possível - o que por um lado é bom, já que vai gerar mais renda para o Haiti. Só que por outro decepciona; o trabalho original conta com grandes gênios e ídolos da música (que, sim, já eram grandes nomes em 1985), e a expectativa era de que fosse ser igualmente icônico. Sabemos que tudo aconteceu muito rápido - os artistas já estavam em Los Angeles para o Grammy 2010 na ocasião, e a regravação da canção estava marcada antes do acontecimento do terremoto e depois foi remarcada emergencialmente - só que pensávamos que a mão de Quincy traria um belo trabalho novamente.

Pode parecer pura crítica nostálgica, mas a verdade é que o imediatismo com que estão sendo feitas as coisas e os ídolos que estamos cultivando no século XXI são a verdadeira preocupação de pessoas como eu, que amam música e querem preservá-la como uma das grandes criações da humanidade.

Aliás, já que tudo está mudado mesmo, deveriam ter chamado a Solange do Big Brother para ser a nova letrista da canção....

Como já diziam Michael Jackson e Paul Anka : This Is It!

Vídeo da canção :

sábado, 30 de janeiro de 2010

Sebo - Ainda estou vivo!

Olá pessoal!

Só pra avisar que estou vivo! Não fui vítima de nenhum desastre ou de fãs de imaculadas bandas de rock (o que chega a dar no mesmo).

Em breve estarei de volta ao blog!

Aviso importante:

Antes de começarem os xingamentos por algum post que não tenham gostado, tentem reparar que no blog existem DUAS pessoas que escrevem. Ou seja, antes de xingar a Letícia de psicopata ou coisa pior, certifiquem-se de que foi mesmo ela quem escreveu.

Saudações