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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Especial - Old Sock (Eric Clapton)


E o grande mestre da guitarra ainda está gravando! O Deus Eric Clapton ainda grava e faz shows, como todo o bom e velho bluesmen. Não com a mesma pompa, energia, afobação e estrelismo de outros artistas e  de outros tempos, mas nada disso é necessário para quem consolidou uma carreira em seu nato talento musical. Em outras palavras: Clapton já não precisa provar nada para ninguém, pode fazer apenas o que desejar, sem ser obrigado a agradar gravadoras com hits e topcharts.

Nos últimos anos, Clapton tem feito álbuns mais voltados para o estilo musical que o inspirou e regeu seu carreira: o Blues. Clapton flertou com vários estilos, proeminentemente o Rock - afinal, que nunca ouviu sua versão para "Cocaine", "Layla" e os melhores momentos do Cream? -, mas sua raiz, seu essência reside neste gênero tão triste e melancólico. Até mesmo um álbum em parceria com o eterno B.B. King foi gravado em 2000 (Riding with the King). Fora uma parceria em 2006 com o também entusiasta do Blues JJ Cale (The Road to Escondido).

Ou seja, Clapton quer relaxar e fazer da melhor maneira possível aquilo que mais lhe agrada: música boa, na medida que preferir, do jeito que quiser. E a última novidade que o mestre Slowhand traz é o álbum Old Sock, que teve lançamento no dia 12 de Março deste ano. Eric reuniu alguns de suas canções preferidas desde que era um garotinho até os dias atuais, sendo acompanhado por grandes músicos como Steve Winwood (outro grande músico que foi companheiro de Eric no Blind Faith, dentre outros atos musicais), novamente JJ Cale e até mesmo o ex-Beatle Paul McCartney. Na produção, temos até mesmo o guitarrista Doyle Bramhall II, que acompanha Eric já faz um tempo.


No novo álbum, apenas duas canções são inéditas: "Gotta Get Over" e "Every Little Thing". Ambas foram escritas por Justin Stanley (um dos produtores do álbum), o já citado Doyle Bramhall II e, ora vejam só, Nikka Costa (ela mesma, a menininha que encantou milhões de pessoas cantando "On My Own" com 4 anos de idade).

Aqui vai uma análise faixa por faixa do novo trabalho de Eric Clapton.

1 - Further on Down the Road (por Taj Mahal, Jesse Ed Davis, Gary Gilmore, Chuck Blackwell)

Canção original do músico de Blues Taj Mahal, a canção foi lançada no álbum Giant Step/De Ole Folks at Home, em 1969. Ano em que Eric formou o Blind Faith e saiu em turnê com Delaney and Bonnie and Friends. 

Clapton conta com a participação do próprio Taj Mahal como instrumentista. Enquanto a versão original é mais calcadano Blues, Eric adicionou uma pitada de Reggae (depois de "I Shot the Sheriff", sabemos o que ele é capaz de fazer com este estilo), deixando a canção com um tom original, próprio.

2 - Angel (por J.J. Cale)

Esta canção era um faixa não lançada por Cale, que aparentemente foi cedida por ele para o novo projeto de Eric. Não há informação a respeito de quando foi composta. Cale participa tocando e cantando com Clapton.

Apesar de uma letra mais ao estilo Blues, com partes como "corta como uma faca", que é tão utilizada em linhas que precisam expressar uma tristeza reforçada, o cliente de "Angel" é um tanto alegre, calmo. Eric faz um trabalho ameno, com vocais mais contidos, serenos.

3 - The Folks Who Live On the Hill (por Oscar Hammerstein II, Jerome Kern)

Esta música já tem uma história mais profunda. Foi produzida em 1937, composta por Jerome Kern (compositor com destaque na cena teatral), com letra de Oscar Hammerstein II (compositor também proeminente na cena teatral). Foi gravada por uma série de artistas. Primeiramente gravada por Irene Dunne no mesmo ano em que foi escrita, depois por Bing Crosby e mais popularmente conhecida na voz de Peggy Lee em 1957.

A versão de referência (Peggy Lee) tem um clima mais puxado para o Jazz, com toda a suavidade intrínseca. Lembrando alguns momentos de Frank Sinatra. Já na versão de Eric, a coisa é um pouquinho mais refinada, mais moderna, com backing vocals e a adição de outros instrumentos - especialmente a guitarra de Clapton. No quesito vocais, Peggy ganha, possivelmente por esta canção ser mais adaptável para uma voz feminina.

4 - Gotta Get Over (de Doyle Bramhall II, Justin Stanley, Nikka Costa)

Primeira canção inédita do tracklist. Uma das compositoras é Nikk Costa (o que significa que ela está faturando mais produzindo para outros artistas do que fazendo a própria carreira solo) e temos a veterana cantora Chaka Khan contribuindo nos vocais.

A letra é bem otimista, falando sobre superação. A parte Rock de Eric falou mais alto aqui, com seus bons e velhos solos. A participação de Chaka Khan não teve um diferencial, uma vez que a atuação foi como backing vocal, não um dueto (como "Tearing Us Apart", de Clapton e Tina Turner), sendo apenas um mero complemento. Um sabor dos velhos tempos acompanharam as notas musicais aqui...

5 - Till Your Well Runs Dry (por Peter Tosh)

Este canção pertence ao primeiro álbum (Legalize It) do cantor Peter Tosh, ex-Wailers do Bob Marley e, obviamente, pró-maconha. A canção vem de 1976, época de grande produção criativa do Reggae - onde Clapton se inspirou bastante). O ex-Bob Marley seguiu de perto os passos do Rasta-mor lançando este Reggae que, apesar de ser Reggae, não sou chato e pedante como a maioria dos casos.

Bem, eu havia dito que o foco do projeto todo era o Blues, mas aqui temos uma total exceção. Clapton regrava mais uma vez o Reggae, incutindo o poder de sua interpretação através das cordas de uma guitarra. O destaque positivo fica mesmo pelo inconfundível solado Slowhand.

6 - All of Me (por Gerald Marks, Seymour Simons)

Canção escrita em 1931, intepretada por Belle Baker e depois por Ruth Etting. A versão de Ruth carrega aquele Jazz bem enraizado e todo seu charme inerente - tanto nos instrumentos quanto na interpretação de Etting. Foi uma canção bem popular, sendo interpretada por muitos artistas, proeminentemente Bing Crosby, Billie Holiday, Louis Armstrong, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e vários outros.

A versão de Clapton tem Paul McCartney o acompanhando nos vocais - Paul também tocou baixo na gravação. Paul mostra aqui que sua voz ainda tem a característica força de outrora, sendo um bom reforço aos vocais mais singelos de Eric. Obviamente esta versão parece muito contemporânea se comparada com a original, mas com o verniz Blues que Clapton propôs.

7 - Born to Lose (por Ted Daffan)

Considerado um hino Country (possivelmente antes dele ter sido banalizado bovinamente como aconteceu), esta canção foi escrita por Ted Daffan em 1942. Muito popular, a canção já foi gravada em uma versão mais melancólica pelo Ray Charles.

A interpretação de Eric, aliás, soa muito mais próximo do que veio a ser conhecido mais tarde como Country do que a gravação original. A qualidade no quesito instrumental carrega a marca da guitarra de Clapton. A canção ficou mais pomposa com backing vocals, mas nada mais que isso. Apesar do bom trabalho, a versão original de Ted Daffan acaba sendo melhor.

8 - Still Got the Blues (por Gary Moore)

A obra prima de Gary Moore, um clássico do Blues Contemporâneo (se é que posso chamá-lo assim), "Still Got The Blues" carrega toda a força musical da palavra Blues em sua melodia triste e cordas com uma melodia forte e inspiradora - e os vocais de Moore nunca estiveram tão bem acomodados. As linhas que atravessavam os dedos de Moore e chegavam até as cordas da guitarra são de fato incríveis. Gary escreveu a música em 1990 e curiosamente foi comercialmente favorável, apesar do imenso valor musical.

Nunca imaginei uma versão desta canção que fosse no mínimo aceitável, imaginando que seria feito algo de diferente do original como maneira de ser mais inventivo. Em resumo, nunca acreditei que ninguém pudesse fazer justiça ao legado desta canção. Porém, o que Clapton fez aqui, mesmo sem repetir o principal e característico riff da canção, é surpreendente. Eric já havia tocado esta canção ao vivo, pelo menos desde 2011. (Que talvez tenha sido uma maneira de homenagear Gary Moore, falecido no começo do ano.)

Amenizando a canção ao acústico, com um acompanhamento de um orgão (tocado pelo Steve Winwood), Eric consegue com simplicidade fazer algo tão belo e tocante quanto o poderoso Blues que Gary exalava de sua guitarra. Memorável.

9 - Goodnight Irene (por Huddie Ledbetter, John A. Lomax, Sr.)

Escrita no distante ano de 1933, esta canção foi gravada em primeira mão pelo músico de Blues Huddie 'Lead Belly' Ledbetter. Como é de praxe, a letra fala sobre frustração e triste (neste caso, com a tal da Irene). Frank Sinatra, Johnny Cash, Jerry Lee Lewis e Little Richard também gravaram uma versão para a canção.

A versão de Clapton é um pouco mais completa, como já era de se esperar. Vemos aqui apenas uma versão mais atual, sem grandes diferenciais. Das canções cover apresentadas no álbum, esta é, até o momento, a mais irrelevante. Não teve um grande atrativo ou diferencial - a não ser que você não tenha gostado da versão de Lead Belly.

10 - Your One and Only Man (por Otis Redding)

O cantor de Soul Otis Redding faleceu muito jovem. Aos 26 anos, morreu em um acidente de avião. Dentre as obras de seu acervo temos "(Sittin' On) The Dock of the Bay", gravada dias antes de seu acidente, e lançada no mês seguinte, em um álbum póstumo. "Your One and Only Man" foi lançada no segundo álbum, de 1965.

A versão de Eric teve uma pegada mais puxada para o Reggae, afastada do Blues e mais longe ainda do Soul. Como a qualidade musical do Soul é muito superior à do Reggae, a versão original de Redding é mais proveitosa. Mas tirando o excesso de do Reggae, a versão de Eric é muito boa.


11 - Every Little Thing (por Doyle Bramhall II, Justin Stanley, Nikka Costa)

Segunda e última faixa original do álbum, "Every Little Thing", ao contrário da outra canção inédita do álbum, não utiliza a pegada roqueira da mesma maneira. Temos mais impregnação do Reggae, que a esta altura podemos ver que já influenciou Eric demais. Acredito que Clapton, ou alguém da produção, teria escolhido fazer um contraponto entre as duas canções originais do álbum. Uma mais agitada e outra mais amena, para diversificar. Na batalha entre as duas, "Gotta Get Over" vence com folga.

12 - Our Love Is Here to Stay (por George Gershwin, Ira Gershwin)

Canção popular do Jazz, composta pelos irmãos Gershwin em 1938 para o filme The Goldwyn Follies. Dentre os compositores, temos em destaque a interpretação de Ella Fitzgerald. A canção tem perfeitamente o clima do Jazz dos anos 30. Curiosamente, a versão de Clapton não se difere muito, mantendo-se mais fiel aos original. Com relação à performance vocal, Ella vence o Slowhand - apesar da versão dele ser tecnicamente um pouco melhor.

13 - No Sympathy (por Peter Tosh) - Faixa Bônus

Ainda caminhando sobre as raízes e influências do Reggae que já ditaram muito em sua carreira, Clapton fez mais uma versão de Peter Tosh. "No Sympathy" saiu no mesmo álbum que "Till Your Well Runs Dry", no ano de 1976. É mais um Reggae, bem fiel e competente ao seu propósito. Possivelmente um dos melhores exemplares do gênero - justificando a sábia escolha de Eric.

Infelizmente, ainda não encontrei a versão de Eric disponível. Posteriormente complementarem esta parte.

No geral foi um ótimo trabalho do guitarrista. Nada grandioso, do jeito que ele quis. Apenas fazer boa música, sem se preocupar em agradar um grande público. E que venha mais um trabalho destes!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Especial - 55ª Edição do Grammy

Tivemos nesta edição a apresentação da premiação pelo rapper LL Cool J, melhor conhecido por seus trabalhos nos anos 90, só não me pergunte quais. Fora a adição de outros 3 prêmios, totalizando 81! Nada realmente relevante, mas...

Gravação do Ano (Record of The Year)

"Somebody That I Used to Know" do Gotye com Kimbra





Dentre todos os indicados, a canção de Gotye era a mais merecida para a posição. Com sua voz a la Sting, com a participação acertada de Kimbra e a forcinha que a base de "Seville", do compositor brasileiro Luiz Bonfá, foram a receita de sucesso para este single, que já recebeu várias versões e paródias. Você nunca ouviu Gotye antes, agora falta esperar e ver se vai ouvir depois disto (e o mesmo vale para a Kimbra).


Outros indicados da categoria


"Lonely Boy" do The Black Keys






Se o Gotye não houve abocanhado o prêmio, com certeza o The Black Keys seriam os merecedores. Poucas vezes ouvi um Rock tão fiel ao que se ouvia há muito tempo atrás (na medida do possível, lógico). Senti uma pontinha de The Doors e até mesmo Iggy pop, o que contribuiu bastante para o resultado final. Enfim, comparado com os outros artistas, pareceu antiquado. E deve ser exatamente por isso que é bom.


"Stronger (What Doesn't Kill You)" da Kelly Clarkson





A coisa mais acertada que Kelly Clarkson fez na vida foi chutar a bunda dos caras que queria basear a carreira dela em baladas românticas. Já a pior coisa foi confiar um single na mão do Ryan Tedder (ou fazer aquele filme, De Justin para Kelly - que ela só fez por questões contratuais, mostrando que desde cedo ela já se mostrava esperta com relação às ideias equivocadas dos executivos das gravadoras). Enfim, apesar de Kelly ser competente no ramo das baladas românticas, ela também é muito boa em fazer o Pop Rock. "Stronger" é mais uma perfeita amostra disso, que também foi um potencial concorrente ao prêmio. Mas já que apenas um pode ganhar...

"We Are Young" do Fun com Janelle Monáe





Poucas coisas foram tão chatas quanto este single. Por todo o falatório e repercussão, até dá pra pensar em esperar algo de fato - ledo engano, pois justamente por isto que não poderia esperar grande coisa. Os novatos do Fun (que parece nome daquelas bandas brasileiras constrangedoras como Fresno e Restart) tiveram um reforço da Janelle Monáe. Isso deveria ter ajudado um pouco, mas no final das contas, tivemos um placar zerado. Mais sorte da próxima!

"Thinkin' 'Bout You" do Frank Ocean





Frank Ocean seria mais um destes caras que vieram na mesma leva de artistas como Taio Cruz e Jason Derülo. A diferença é que ele larga toda aquela parafernália eletrônica e a deixa em seu devido lugar para usar nada mais, nada menos, que a garganta. Ou seja, Auto Tune off - o que lhe dá uma vantagem incrível sobre estes outros. O single é um tanto monótono, mas não é ruim. É mais agradável e interessante do que o do Fun. E isso já também uma grande vantagem.

"We Are Never Ever Getting Back Together" da Taylor Swift




A canção de Taylor Swift é exatamente isso aí: uma canção da Taylor Swift. Não com o mesmo apelo e novidade que já lhe foi de costume e que é reservado ao pessoal que está pisando no carpete da fama pela primeira vez, mas os fãs simplesmente não vão se decepcionar. Agora, levando em consideração estes fatos, achei difícil mesmo esta single ser considerado gravação do ano. É como considerar a Coca Cola inovadora, se é que me entendem... 


Álbum do Ano (Album of The Year)

Babel do Mumford & Sons




Os Folk-interessantes Mumford & Sons e seu vocalista com voz de Michael Stipe do R.E.M. não ganharam nenhuma das seis estatueta das quais lhes foram indicadas nos anos anteriores. Neste ano, das seis indicações, venceram duas - uma delas por Álbum do Ano. O Folk feito pelo quarteto tem qualidade e é uma banda boa (apesar de sua sonoridade poder ser confundida com falta de originalidade). O Folk ganhar um prêmio destes foi uma espécie de "A Vingança dos Nerds" do mundo da música. Seria tipo a Bossa Nova se sobressair das trevas para sobrepassar o execrado e dispensável Sertanejo Musical. Blergh... 


Outros indicados da categoria

El Camino do The Black Keys



O que foi dito sobre o Mumford & Sons logo acima poderia ser aplicado ao The Black Keys, caso eles tivessem arrematado o prêmio. O que me faz lembrar que esta edição do Grammy foi um tanto retrô. Só faltou o Chucky Berry se apresentar na cerimônia com os caras e um holograma do Elvis interagir com eles neste ínterim. Aliás, a Adele ganhar um prêmio este ano só reforça ainda mais esta impressão...

Some Nights do Fun


Bem, se aqui nós temos e, infelizmente, acabamos por supervalorizar artistas como Gabby Amarantos (que se auto-intitula como "Beyoncé Brasileira" - embora eu ache que, guardadas as devidas proporções, este título seria melhor atribuído à Ivete Sangalo). A tal da Amarantos está mais para Jennifer Hudson antes de emagrecer ou o Jabba, do Star Wars. Ah, sim! Sobre o Fun? Bem... sobe a página até a parte deles que tá tudo escrito.

Channel Orange do Frank Ocean





E ora vejam só: o álbum de Frank Ocean ver com um selo de aviso para os pais. Até parece que músicos afrodescendentes não conseguem falar ou cantar sem colocar palavrão no meio. Bem, não sendo como gente tipo Akon, que usa palavrões como vírgulas, ele tem futuro.

Blunderbuss do Jack White



Eu me pergunto: com tantos projetos paralelos (ou problemas, como preferirem definir), como Jack White consegue ter tempo para lançar um álbum solo? Mesmo com o fim do The White Stripes, ainda tem o The Raconteurs e o The Dead Weather. Fora os momentos em que ele tenta inflar seu ego tentar se colocar no mesmo patamar que Jimmy Page e outros guitarristas. Mas mesmo com seu jeito não muito convencional (esta denominação costuma ser boa na minha opinião, mas aqui soa distorcida e incorreta), o álbum foi sucesso nos Estados Unidos e Reino Unidos. Ou seja: Jack não vai precisar gastar com Prozac por um tempo...

Canção do Ano (Song of The Year)


"We Are Young" do Fun


Ha! E não é que a banda Fun ganhou uma estatueta? Bem, falando sobre o single. Uma parte dele me faz pensar que eles pegaram inspiração do Don McLean (ouçam "American Pie"). De resto, é uma canção um tanto pedante e monótona. Janelle Monáe, cantora da qual eu estava acostumado com algo mais groove, mais dançante, tenta dar uma força no refrão, para tornar a coisa toda mais forte e significativa. Acabou falhando. Bem, não poderíamos esperar muito neste caso, mas uma estatueta foi demais.


Outros indicados da categoria


"The A Team" do Ed Sheeran




Com relação ao vencedora da categoria, esta canção se mostra mais intimista, mais introspectiva. Ou seja: mais Folk Music na premiação. Apesar da invasão Folk, e de não ser lá muito marcante, ainda foi mais merecedor do prêmio do que a canção do Fun. Fora disso, não é algo que você vá se lembrar muito tempo depois - a não ser que você seja fã de Folk...


"Adorn" do Miguel




Caramba! Tipo, parece que o Ne-Yo fez algumas cirurgias e resolveu cantar com outro nome. "Adorn" não é ruim, aliás, faria a alegria de quem gosta de ouvir rádio FM especializadas em R&B. Apesar de não ser pomposa como a vencedora da estatueta, também seria mais merecedora do prêmio. Eu só me pergunto se realmente era necessário um nome artístico sem personalidade e tão genérico quanto Miguel. Dá impressão que ele vai cantar alguma coisa como "Mambo Number Five" do Lou Bega...

"Call Me Maybe" da Carly Rae Jepsen


Hum... podem adivinhar o que eu vou dizer agora? Sim, também merecia mais do que o vencedor desta categoria. Ao contrário desta, é uma canção mais frenética, divertida, com uma atuação vocal superior. Bem, de resto, eu já falei sobre ela em um artigo individual...

"Stronger (What Doesn't Kill You)" da Kelly Clarkson


E acredito que sem surpresas, temos que eu acredito que seria a mais merecedora de todos na categoria de Canção do Ano. Após a infeliz situação criada por Ryan Tedder e que envolvia até mesmo a Beyoncé, Kelly Clarkson deu a volta por cima e lançou um single cheio de energia. Como consolo, ela tem o fato que é a única de fato sobrevivente do American Idol e que se mantém sólida na indústria - fora que é muito mais legal que bandas por aí, como por exemplo, sei lá, o Fun...

Melhor Novo Artista (Best New Artist)



Fun



...

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhh!!

(O que aconteceria se derrubassem ácido sulfúrico com elementos tóxicos nos Beastie Boys? Veja a foto acima...)


Outros indicados da categoria

Alabama Shakes





Fico pensando como coisas como Alabama Shakes é rejeitado em detrimento de coisas como o Fun. Ouvir o Alabama te transporta para uma época em que a música era uma solução para a mente conturbada, não como agora, que muitas vezes conturba mentes. Injusto, muito injusto...

Hunter Hayes



Putz! O cara se chama Caçador! Bem, veio caçar uma estatueta do Grammy e errou o alvo. O rapaz é músico do Country, o que em situações normais me faria pensar que o Fun até poderia merecer mais do que ele. Porém, ouvindo uma das canções do rapaz, vemos que ele não impregna a sensação de boi mascando ou coisa do tipo. No geral, não é muito relevante, mas considerando a situação atual, merecia a estatueta acima do Fun por poucos pontos...

The Lumineers




Ora, ora. Mais Folk. Deveria ter mudado o nome do prêmio para Folk Grammy Awards. De qualquer maneira, dentre todos os artista Folk desta premiação, me pareceram os menos relevantes. Parecem uma versão pocket do Mumford & Sons. A canção de estréia deles, "Ho Hey" (Go's Let? Huahuahauah...) me lembro um pouco "I Belong to You" do Lenny Kravitz! Que ecleticismo...
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Pop - Melhor Performance Pop Solo (Best Pop Solo Performance)


"Set Fire to The Rain" da Adele




A Adele conseguiu ganhar uma estatueta este ano também. Por um trabalho feito na época em que foi premiada com outras estatuetas pelo mesmo conjunto! Ou ela realmente fez um trabalho duradouro e atemporal ou havia um quorum na categoria. Vale frisar que a versão em questão é ao-vivo. Ou seja, foi julgada uma versão muito mais propensa a imperfeições e problemas técnicos e ainda sim bateu gente como Kelly Clarkson, Katy Perry e Rihanna. Muito bem!

Pop - Melhor Duo Pop/Performance em Grupo (Best Pop Duo/Group Performance)

"Somebody That I Used to Know" do Gotye com Kimbra




Só o fato do Gotye e da Kimbra terem tirado esta estatueta do Fun e da Janelle Monáe já é o suficiente como mérito musical para eles. De qualquer maneira, Gotye Sting (hahaha) e Kimbra fizeram um trabalho excelente, merecedor do prêmio. Se bem que, considerando que eles competiram com, além do Fun, o LMFAO!!! (com "Sexy and I Know It"!). Tava fácil, não?

Pop - Melhor Álbum Vocal Pop (Best Pop Vocal Album)


Stronger da Kelly Clarkson





Aêeeee! Sem grandes surpresas, a loira arrematou este prêmio. Ela disputou com o superestimado Fun e teve uma concorrente de verdade, a P!nk. O Maroon 5 tava no páreo também, mas não teve jeito.

R&B - Melhor Performance R&B (Best R&B Performance)


"Climax" do Usher




Caramba! O Usher ainda existe! E ainda por cima, ainda canta! Dentre os concorrentes, ele era o nome mais conhecido, e apesar da canção não ser lá grande coisa, foi um prêmio surpreendentemente acertado dentro do contexto. Agora só falta o Usher andar por aí com uma camiseta bem grande escrita "I'm still alive, bitch!".


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O Miguel ganhou uma estatueta de Melhor Canção R&B, o The Black Keys conseguiu arrematou merecidamente o Melhor Performance de Rock e Melhor Canção Rock com "Lonely Boy" e Melhor Álbum Rock com El Camino. Justiça feita!

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As performances mais importantes:




Bruno Mars, Rihanna, Sting, Damian Marley e Ziggy Marley fizeram um tributo a Bob Marley. Eu imaginei que neste momento não fosse dar pra enxergar nada no palco por causa da fumaceira, mas me surpreendi...


Justin Timberlake e Jay-Z cantaram juntos. Jay-Z não canta, proclama rap e Justin Timberlake cantar até parece piada. Ele bem que poderia ter substituído a performance musical por uma cênica e ter recriado uma guerra de tortas a la Os Três Patetas. Seria muito mais divertido e gratificante. Mais ainda se ele passasse a fazer apenas isso o resto da vida...

Houve também performances em tributos a artistas que só devem conhecer num raio de 100km do local da apresentação. Taylor Swift, Kelly Clarkson, Elton John, Alicia Keys... um montão de gente.

Grammy 2013. Mais um Grammy, mais um...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Especial - Gangnam Style vs ...

Gangnam Style vs ...

Oppa! Que porra é essa?

Bem, com certeza todo mundo já ouviu e até mesmo tentou imitar a coreografia peculiar do artista coreano conhecido como Psy em "Gangnam Style". A canção e vídeo criativos e inventivos conquistaram tal espaço que seu vídeo oficial no Youtube já alcançou mais de 425 milhões de visitas e quase 4 milhões de likes - isso tudo em pouco mais de 2 meses!

Mas o mundo da música funciona com engrenagens que podem nos trazer boas variações e outras péssimas. O Brasil é um grande exemplo disso. O que quero dizer? Bem, a canção "Astronauta de Mármore", do grupo Nenhum de Nós, que foi lançada em 1989 é na verdade uma versão para "Starman", do David Bowie. E o que dizer de "Catedral", canção de 1994 da Zélia Duncan? Sua versão original, "Cathedral Song", pertence a Tanita Tikaram, que a lançou em 1989. Ou seja, estes são dois exemplos que, na minha opinião, fizeram justiça aos projetos originais e foram musicalmente bem traduzidos para o povo brasileiro.

Mas também temos uma série de problemas irritantes vindos desta vertente "criativa" que tanto é explorada pelos artista deste país. E os exmplos são os mais diversos:

   

Baha Man - Who Let The Dogs Out? (2000)

Bonde do Tigrão - Só as Cachorras (2001)
Versão deprimente de uma música que já não era boa originalmente...

   

Jimi Hendrix - Hey Joe (1974)

O Rappa - Hey Joe (1996)
A versão original de "Hey Joe" não é do Jimi, mas com certeza a cover nacional foi inspirada na dele. Diga-se de passagem, totalmente dispensável...

   

Las Ketchup - Asereje (2002)

Rouge - Ragatanga (2002)
Puro Pop de 5 minutos. A versão nacional foi um verdadeiro coringa para a divulgação do recé-formado saído de um programa de TV para revelar artistas. Simplesmente não deu certo, não mesmo...

   

Vanessa Carlton - A Thousand Miles (2002)

Stephanie Crossfox - Crossfox (?)
Algo tão ridículo, babaca e constrangedor não merece mais do que estas esparsas linhas e certeiros adjetivos...

Existem mais alguns casos, mas isso fica para um outro artigo...


Esta introdução foi para dizer que, a mais nova vítima do momento (e sim, esta é a palavra, "vítima") é o pobre Psy com sua tresloucada "Gangnam Style". E quem foi o responsável pelo atrevimento de mexer no que não deveria ter sido tocado?

Quem não se lembra de "Dragostei Din Tei", do grupo O-Zone. Uma canção animada e muito chata que dispensava qualquer tipo de reprodução por outros lados. Latino fez sua constrangedora versão, chamada de "Festa no Apê". Honestamente, babaca é pouco para descrever. Latino parece ter o dom de piorar o que toca, uma espécie de Midas às avessas.



Um tempo depois de mais músicas ruins vindas do Latino, ele resolveu atacar mais outro projeto alheio - uma vez que suas próprias criações de nada valem como algo considerável. "Danza Kuduro" de Don Omar não era ruim como "Dragostea Din Tei", mas ainda sim tem seu rótulo descartável. E o mais interessante nesta caso é que Latino não requisitou autorização antes de botar suas garras neste projeto. Ou seja, plágio. Além de arruinar o que já existe, ainda é capaz de "roubar".



E o atual caso, sua "Despedida de Solteiro", causou o maior "rebuliço". Na pior de todas as versões que ele já foi capaz de fazer, Latino conseguiu um imensa repercussão negativa na internet e com fãs da canção "Gangnam Style". O vlogger Cauê Moura resolveu fazer uma versão da canção falando algumas verdades e escrachando um pouco o Latino (coisa que, aliás, não exige muito esforço) e o arremedo de cantor se mostrou incomodado. E principalmente considerando que, enquanto a versão do Latino está sendo totalmente (e merecidamente) vandalizada na rede, a versão do Cauê Moura foi muito bem recebida.



E depois que a turma do Pânico se meteu no meio em uma edição covardemente inclinada para o Latino, o assunto tornou-se mais público - ou seja, saindo no universal das redes sociais. Enfim, a história resume-se assim: Latino deu uma de aproveitador como lhe é de costume, conseguindo autorização para usar uma canção e se dar bem em cima do que não lhe é realmente atribuído. Pessoas não gostaram (obviamente e com razão) e alguém resolveu fazer uma resposta criativa e divertida que acabou irritando o alvo. Como resultado, Latino ficou conhecido na rede como "máquina de xerox".

Latino mostrou com este episódio que não passa de um artista medíocre, apenas pegando carona no sucessos alheios e bem aventurados. Não é algo muito diferente do que vê por aí no Brasil, mas com certeza é um dos piores casos já registrados. E felizmente reconhecido como tal. A coisa mais fácil que um músico pode fazer é colocar uma nova letra em uma base já feita e algo difícil é tornar isso realmente interessante. Latino, um recado: não é pra você.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Especial - 54ª Edição do Grammy

Nesta edição do Grammy, tivemos um fato marcante: a morte de Whitney Houston. Esta infeliz tragédia no mundo da música foi abordada durante a cerimônia por vários artistas. Uma noite triste, de uma certa maneira. Mas o show tem que continuar...


Gravação do Ano (Record of The Year)


"Rolling in the Deep" da Adele




O hit single da Adele realmente dominou as paradas musicais pelo mundo. Conseguiu um grande destaque entre singles de gente como Rihanna, Pitbull, Katy Perry e LMFAO. E o melhor é que foi um destaque com nível técnico superior a todos eles - talvez com um empate com a Perry na qualidade vocal, mas de resto não existem comparações. "Rolling in The Deep" foi grandiosa em sua simplicidade.

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"Firework" da Katy Perry


Katy queria provar para o mundo que seu sucesso inicial com o álbum One of The Boys (2008) não foi pura sorte de iniciante. O baque de "I Kissed a Girl", a divertida "Hot n Cold" e a pretensiosa "Thinking of You" foram sua chave de entrada para o business. Certo, Perry provou que não era apenas uma sortuda. Teenage Dream com "California Gurls", "Teenage Dream", "Firework" e "Last Friday Night (T.G.I.F.)" mostram algo muito promissor de Perry, significando que ela pode sim ser de fato muito relevante, mas todo o cuidado é pouco, pois ela precisa de reinventar ou vai ficar obsoleta...

"Grenade" de Bruno Mars


Mars começou tudo como papagaio de pirata: no ombro dos outros. Com suas participações em "Nothin' On You" do B.O.B. e "Billionaire" do Travie McCoy, ele conseguiu uma grande projeção - não que os dois citados artistas fossem grande estrelas, mas Mars deu muita sorte de ter participado de duas canções que caíram no gosto geral em tempos tão curtos. Daí para frente foi só questão de tempo até projetos pessoais aparecerem e o primeiro álbum (Doo-Wops & Hooligans). E digo que ficou abaixo do esperado. Dentre os vários singles ("Just The Way You Are", a chata e de fato preguiçosa "The Lazy Song" e até o que não foi single como "Talking to The Moon"), o que dá pra dar de fato um destaque é "Grenade". Tá longe de ser o melhor que um artista pode fazer, mas dadas as circunstâncias, é o magnum opus do rapaz até o momento.

"The Cave" do Mumford & Sons


E os interessantes Mumford & Sons voltaram ao Grammy para tentar mais uma vez a estatueta. E ficaram só na tentativa. A criativa banda com seu vocalista cuja voz soa igualzinha à voz do Michael Stipe do R.E.M. é uma opção de alternativo bem interessante para quem gosta de coisas diferentes (vide "Little Lion Man"), mas no caso de "The Cave" soaram repetitivos e nada inovadores. Foi uma espécie de "não mexer no time que está ganhando". Mas nem por isso significa que seja algo ruim, nada disso.

"Holocene" do Bon Iver


Sim. Eu também me perguntei o que diabos era isso. O Grammy também é cultura (mesmo nos dias de hoje), trazendo também bandas desconhecidas. O Bon Iver é uma banda Indie e Folk criada em 2006 e com dois álbuns na bagagem. E com "Holocene" mereceram esta indicação. Porém o principal problema da canção é justamente o fato de trazer a fundo a raiz da banda. A canção é underground demais, apesar do clima ameno e agradável. Acredito que tenha servido como objeto de curiosidade exatamente como o Mumford & Sons serviu ano passado...

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Álbum do Ano (Album of The Year)

21 da Adele



Com certeza, dentre todos os álbuns, 21 era o que merecia vencer - e foi o que de fato aconteceu. Os três primeiros singles "Rolling in the Deep", "Someone Like You" e "Set Fire to the Rain" mostram o quão promissor é o futuro musical de Adele. E sua voz, o principal, fala tudo - ou melhor, canta tudo. Estatueta merecida.

Outros indicados da categoria

Doo-Wops & Hooligans do Bruno Mars


As canções citadas anteriormente mostram que o álbum, de uma certa maneira, foi realmente bem construído. A voz de Mars é boa, acima da média e o balanço geral até se mostra favorável para Mars. Porém ele mais parece aquele tipo de artista que você espera algo realmente arrebatador lá pelo segundo ou terceiro álbum, isso se ele não acabar sumindo misteriosamente por razões estranhas como entregar-se a algum tipo de religião bisonha ou bater em alguma mulher...

Loud da Rihanna


Basicamente, este álbum só merecia de fato alguma indicação positiva ou destaque devido ao single "Only Girl (In the World)". Sério. "What's My Name?" e "S&M" são a maior encheção de linguiça do álbum, e uma das maiores da carreira dela, que já está se tornando longa o suficiente para referências retrógradas. Rihanna sabe o que é andar de montanha russa, pois sua carreira é um sobe e desce no quesito coerência e qualidade musical.

Wasting Light do Foo Fighters


Bem, por mais que o Foo Fighters seja bem divertido em certos momentos, fica meio óbvio que não iriam ganhar o prêmio. Primeiro porque a competição com o mundo Pop e com Adele era forte demais. Segundo porque, bem, tenho a impressão de que cada vez se ouve menos Rock hoje em dia. Tive medo de anunciarem o álbum Wasting Light como sendo do Nirvana. Medo. O single "Rope" é um ótimo exemplar do Rock do Foo Fighters, apesar de não apresentar nada de novo. Enfim, eles ainda são divertidos...

Born This Way da Lady Gaga


Obviamente não poderia faltar a presença gaguistica da cantora mais polêmica dos últimos tempos. Born This Way tentou seguir a linha ousada e inusitada de projetos anteriores, como por exemplo usar temas religiosos ("Judas"). Fora que a auto-referencial "Born This Way" é divertida, mas diferente do que você poderia esperar dela. Curiosamente podemos dizer o mesmo de "The Edge of Glory" e "Marry the Night". Seria uma tentativa de mudança nos rumos musicais? Bem, pode ser bom, mas não está sendo rentável, eu acho.

P.s.: Lady Gaga, pare de fazer vídeo-clipes épicos. Lance um a cada dois álbuns, pelo menos!

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Canção do Ano (Song of The Year)

"Rolling in the Deep" da Adele


Bem, existe alguma surpresa nisso? Acho que não. De todas as indicadas, com certeza esta se sagraria vencedora. De resto, já foi tudo dito logo acima...

Outros indicados da categoria

"Grenade" de Bruno Mars


Obviamente esta seria a canção mais indicada de Mars para o posto. Mas não significa necessariamente que de fato merecesse o posto... "Grenade" é uma ponte para algo mais e só o tempo vai nos dizer o que seria algo mais.

"The Cave" do Mumford & Sons


A canção até tem qualidade, a banda também. Mas apesar disso seria meio improvável a banda ir tão longe. Pelo menos agora. Vamos ver o progresso da banda futuramente e ver se eles conseguem um Gravação do Ano primeiro.

"All of the Lights" do Kanye West


Inicialmente o projeto é creditado como "Kanye West Featuring Rihanna", mas pela capa do single conseguimos ver que o contingente foi bem maior. De gente menos conhecida como Ryan Leslie e Elly Jackson até veteranos como Charlie Wilson e Elton John. Então, o que poderíamos ter saído deste projeto?

A canção começa promissora mas acaba sendo demolida pela grandiloquência de West. Quanto mais pretensioso Kanye é, pior a coisa fica. E não pense que conseguirá identificar mais do que a Rihanna ou o Kid Cudi (isso se você conseguir distinguir a voz do Kid Cudi de qualquer outra coisa - ou seja, se conhecer a voz dele) no projeto. Em resumo, a canção é só para iniciados, gente que curte Rap, Kanye West ou similares. Não merece um Grammy de melhor canção, nem de longe...

"Holocene" do Bon Iver



Esta canção tinha o nível técnico para ganhar o prêmio, pena que não o conseguiu por um, digamos, mero detalhe: é muito chata. Tem seus momentos bonitos, mas em geral é sonolenta e sorumbática. "Rolling in The Deep" tem bons picos para contrastar aqui. Enfim, alguém dê cafeína ou qualquer estimulante para a banda!

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Melhor Novo Artista (Best New Artist)

Bon Iver


Hum. Talvez achem que seja exagero a banda ter desbancado outros artistas nesta prêmio, mas considerando que dentre eles está a Nicki Minaj, faz todo o sentido...

Outros indicados da categoria

The Band Perry


Uma nova banda Country. O mundo realmente precisa de uma nova banda Country? Bem, tanto quanto o mundo precisa de artistas do Rap. De qualquer maneira a banda mostrou que tem potencial com o single "If I Die Young". E de uma certa maneira até merecia ganhar o prêmio no lugar do Bon Iver, porém a pergunta: o mundo precisa de mais uma nova banda Country?

J. Cole


Mais um ilustre desconhecido - pelo menos por estas bandas. Mais um artista do Hip Hop e Rap tentando fazer algo mais no defasado e combalido mercado do ramo. Preciso dizer que não conseguiu inovar em nada? Pelo menos, baseando-se no seu single "Work Out", ele se mostra menos irritante que a maioria por aí. E aproveitando o exemplo deste trabalho, digo: acredito que nova artista não signifique bom artista.

Skrillex


Um artista da cena Electro no meio de indicados do Rap e Country. Isso que eu chamo de uma verdadeira salada musical. O que Skrillex (bizarro nome artístico de Sonny John Moore) produz é um som bem característico, sem grandes inovações, bem redondinho. É interessante por 5 minutos, se você realmente estiver entediado no Youtube. Ouvindo seu single, "Scary Monsters and Nice Sprites", vemos que ele gosta mesmo de variações de tempo e etc. Tanto que ele está de fato no tempo errado: quem sabe alguém realmente goste disso daqui uns 50 anos...

Nicki Minaj


E a esquisitona Nicki Minaj levou uma indicação de nova melhor artista e ficou merecidamente sem a estatueta. Nicki faz uma mistura estranha de vocalizações pouco usuais com rap que me faz pensar se ela não aprendeu a cantar na mesma escola (ou antro) que o Wyclef Jean. Seu melhor trabalho até o momento é a canção "Super Bass" que, aliás, seria infinitamente melhor se fosse instrumental. Trindade e Tobago certamente é um país de pegadinhas de mal gosto...

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Pop - Melhor Performance Pop Solo (Best Pop Solo Performance)

"Someone Like You" da Adele


Finalmente a "Rolling In The Deep" ficou de lado desta vez. De qualquer maneira, "Someone Like You" mostra melhor a capacidade vocal de Adele. Foi um prêmio merecido, apesar de eu achar que "Set Fire to the Rain" representa de maneira muito melhor e mais incisiva a voz de Adele. De qualquer modo...

Adele desbancou a interessante "You and I" da eterna polêmica e esquisita Lady Gaga, uma canção fora do clima Electropop que a consagrou. No confronto, tivemos ainda "Grenade" (que acabou não explodindo aqui, com o perdão do trocadilho fácil e besta) e, falando em não explodir, a "Firework" da Katy Perry não chegou perto disto. A cantora P!nk também entrou no páreo com "Perfect", mas já sabemos o resultado final...

Pop - Melhor Duo Pop/Performance em Grupo (Best Pop Duo/Group Performance)

"Body and Soul" de Tony Bennett & Amy Winehouse


E a falecida Amy Winehouse com o não muito longe disso Tony Bennett ganharam uma estatueta. E realmente: a força vocal deste duo foi grande o suficiente para a mais do que merecida indicação. Mas muita atenção aqui: apenas indicado para iniciados e admiradores do Jazz.

A divertida "Moves Like Jagger", no duo entre Christina Aguilera e Adam Levine também foram indicados e, apesar da boa atuação - especialmente da Aguilera - não foram páreo para Winehouse-Bennett. De conhecidos, o Coldplay concorreu com sua "Paradise", uma bela canção que por pouco poderia ultrapassar a vencedora. Uma banda de Blues Rock chamada The Black Keys entrou na disputa com uma canção cover do Buddy Holly em uma compilação em homenagem ao mesmo: "Dearest". Os vocais são bons, mas a coisa toda é um tanto limitada.

Pop - Melhor Álbum Vocal Pop (Best Pop Vocal Album)

21 de Adele


Sim, sim. Simplesmente óbvio demais. Então vou passar para os outros indicados: Rihanna com seu Loud, que acabou sendo loud no sentido ruim da coisa; Doo-Wops & Hooligans do Bruno Mars, que no conceito geral acaba sendo mediano; Born This Way da Lady Gaga que seria o mais Pop, mais acessível projeto musical dela até o momento (isso sem contar os vídeos dos singles); The Lady Killer do Cee-Lo Green, um vocalista muito bom e um single chamado "Fuck You". É isso... Agora o que eu fico mais espantado é o fato deste single ter sido indicado no Grammy passado e o álbum dele ser indicado nesta edição - isso é uma espécie de falta de quórum musical, Grammy?

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R&B - Melhor Performance R&B (Best R&B Performance)

"Is This Love" da Corinne Bailey Rae


A sumida Corinne Bailey Rae, da canção "Put Your Records On", ganhou uma estatueta com a interpretação de uma canção do Bob Marley. Te bateu uma preguiça, demasiada fome ou subiu uma fumaça? Bem... todo o clima rastejante e indolente do Reggae foi substituído por um clima mezzo R&B, mezzo Jazz. Ficou um pouquinho melhor do que a original ou do que poderia ser - o que já são pontos positivos, obviamente. 

O tio Charlie Wilson, do The Gap Band, concorreu com sua bonitinha porém atualmente antiquada "You Are". Outra concorrente é Marsha Ambrosius (do ótimo duo Floetry) com "Far Away", uma canção com climas e características comuns do R&B e que bebe bastante das mesmas águas que o Floetry, em resumo, acho até que merecia mais o prêmio que Corinne. A cantora Ledisi concorreu com sua "Pieces of Me", que também merecia mais que a cover do Bob Marley e que também me faz pensar que a cena R&B é a verdadeira salvação contra a crescente e injustificada popularidade do Rap e Hip Hop. A cantora Kelly Price com sua "Not My Daddy" com participação do cantor Stokley (da banda Mint Condition), adivinhem, também merecia mais a estatueta do que a atual vencedora. Afinal, o que projeto merece um prêmio de R&B: canções R&B ou uma cover de Reggae em R&B?

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Vencedora da categoria Pop Tradicional com Tony Bennett realmente nos faz pensar que não tem nada mais dentro de tradição do que alguma música do Tony. No sentido de ser tão velho quanto tradições quanto Natal, por exemplo. A Susan Boyle que o diga - ela que, aliás, concorreu com seu atual álbum. A Barbra Streisand também entrou na dança - de novo - este ano.

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As performances mais importantes: 



Alicia Keys e Bonnie Raitt prestaram tributo a recém falecida Etta James com a canção "A Sunday Kind of Love", que fazia parte do repertório de Etta (isso nos anos 60!). 



Maroon 5 e Foster the People (???) se juntaram ao The Beach Boys para comemorar seus 50 anos de estrada. Sério, quem são Foster the People?



Foi prestada uma homenagem ao músico Glen Campbell (o que me fez pensar a princípio que ele tinha falecido também, pois ele não é lá muito lembrado) com a The Perry Band, um músico Country chamado Blake Sheldon e o próprio Campbell. "Rhinestone Cowboy" é o tipo de canção que consegue ser boa e ruim ao mesmo tempo. Vai entender.



Jennifer Hudson e seu vozeirão homenagearam Whitney Houston com, obviamente, "I Will Always Love You". Hudson é uma espécie de requisição obrigatória e constante quando o assunto é homenagens póstumas. Fez isso muito bem cantando "Will You Be There" no velório de Michael Jackson. Tétrico...



Paul McCartney e artistas como Dave Grohl e Bruce Springsteen se juntaram para tocar o combo "Golden Slumbers/Carry That Weight/The End". Só digo uma coisa: o Grammy anda arranjando muito motivo para puxar o saco de Paul McCartney. Será que eles estão prevendo, na apresentação do ano que vem, a Jennifer Hudson cantando "Yesterday"? Hum...

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Antes tarde que nunca, pessoal. O artigo demorou, mas saiu. Espero que tenha tido alguma relevância com relação a informações... porque deu trabalho!