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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Especial - Old Sock (Eric Clapton)


E o grande mestre da guitarra ainda está gravando! O Deus Eric Clapton ainda grava e faz shows, como todo o bom e velho bluesmen. Não com a mesma pompa, energia, afobação e estrelismo de outros artistas e  de outros tempos, mas nada disso é necessário para quem consolidou uma carreira em seu nato talento musical. Em outras palavras: Clapton já não precisa provar nada para ninguém, pode fazer apenas o que desejar, sem ser obrigado a agradar gravadoras com hits e topcharts.

Nos últimos anos, Clapton tem feito álbuns mais voltados para o estilo musical que o inspirou e regeu seu carreira: o Blues. Clapton flertou com vários estilos, proeminentemente o Rock - afinal, que nunca ouviu sua versão para "Cocaine", "Layla" e os melhores momentos do Cream? -, mas sua raiz, seu essência reside neste gênero tão triste e melancólico. Até mesmo um álbum em parceria com o eterno B.B. King foi gravado em 2000 (Riding with the King). Fora uma parceria em 2006 com o também entusiasta do Blues JJ Cale (The Road to Escondido).

Ou seja, Clapton quer relaxar e fazer da melhor maneira possível aquilo que mais lhe agrada: música boa, na medida que preferir, do jeito que quiser. E a última novidade que o mestre Slowhand traz é o álbum Old Sock, que teve lançamento no dia 12 de Março deste ano. Eric reuniu alguns de suas canções preferidas desde que era um garotinho até os dias atuais, sendo acompanhado por grandes músicos como Steve Winwood (outro grande músico que foi companheiro de Eric no Blind Faith, dentre outros atos musicais), novamente JJ Cale e até mesmo o ex-Beatle Paul McCartney. Na produção, temos até mesmo o guitarrista Doyle Bramhall II, que acompanha Eric já faz um tempo.


No novo álbum, apenas duas canções são inéditas: "Gotta Get Over" e "Every Little Thing". Ambas foram escritas por Justin Stanley (um dos produtores do álbum), o já citado Doyle Bramhall II e, ora vejam só, Nikka Costa (ela mesma, a menininha que encantou milhões de pessoas cantando "On My Own" com 4 anos de idade).

Aqui vai uma análise faixa por faixa do novo trabalho de Eric Clapton.

1 - Further on Down the Road (por Taj Mahal, Jesse Ed Davis, Gary Gilmore, Chuck Blackwell)

Canção original do músico de Blues Taj Mahal, a canção foi lançada no álbum Giant Step/De Ole Folks at Home, em 1969. Ano em que Eric formou o Blind Faith e saiu em turnê com Delaney and Bonnie and Friends. 

Clapton conta com a participação do próprio Taj Mahal como instrumentista. Enquanto a versão original é mais calcadano Blues, Eric adicionou uma pitada de Reggae (depois de "I Shot the Sheriff", sabemos o que ele é capaz de fazer com este estilo), deixando a canção com um tom original, próprio.

2 - Angel (por J.J. Cale)

Esta canção era um faixa não lançada por Cale, que aparentemente foi cedida por ele para o novo projeto de Eric. Não há informação a respeito de quando foi composta. Cale participa tocando e cantando com Clapton.

Apesar de uma letra mais ao estilo Blues, com partes como "corta como uma faca", que é tão utilizada em linhas que precisam expressar uma tristeza reforçada, o cliente de "Angel" é um tanto alegre, calmo. Eric faz um trabalho ameno, com vocais mais contidos, serenos.

3 - The Folks Who Live On the Hill (por Oscar Hammerstein II, Jerome Kern)

Esta música já tem uma história mais profunda. Foi produzida em 1937, composta por Jerome Kern (compositor com destaque na cena teatral), com letra de Oscar Hammerstein II (compositor também proeminente na cena teatral). Foi gravada por uma série de artistas. Primeiramente gravada por Irene Dunne no mesmo ano em que foi escrita, depois por Bing Crosby e mais popularmente conhecida na voz de Peggy Lee em 1957.

A versão de referência (Peggy Lee) tem um clima mais puxado para o Jazz, com toda a suavidade intrínseca. Lembrando alguns momentos de Frank Sinatra. Já na versão de Eric, a coisa é um pouquinho mais refinada, mais moderna, com backing vocals e a adição de outros instrumentos - especialmente a guitarra de Clapton. No quesito vocais, Peggy ganha, possivelmente por esta canção ser mais adaptável para uma voz feminina.

4 - Gotta Get Over (de Doyle Bramhall II, Justin Stanley, Nikka Costa)

Primeira canção inédita do tracklist. Uma das compositoras é Nikk Costa (o que significa que ela está faturando mais produzindo para outros artistas do que fazendo a própria carreira solo) e temos a veterana cantora Chaka Khan contribuindo nos vocais.

A letra é bem otimista, falando sobre superação. A parte Rock de Eric falou mais alto aqui, com seus bons e velhos solos. A participação de Chaka Khan não teve um diferencial, uma vez que a atuação foi como backing vocal, não um dueto (como "Tearing Us Apart", de Clapton e Tina Turner), sendo apenas um mero complemento. Um sabor dos velhos tempos acompanharam as notas musicais aqui...

5 - Till Your Well Runs Dry (por Peter Tosh)

Este canção pertence ao primeiro álbum (Legalize It) do cantor Peter Tosh, ex-Wailers do Bob Marley e, obviamente, pró-maconha. A canção vem de 1976, época de grande produção criativa do Reggae - onde Clapton se inspirou bastante). O ex-Bob Marley seguiu de perto os passos do Rasta-mor lançando este Reggae que, apesar de ser Reggae, não sou chato e pedante como a maioria dos casos.

Bem, eu havia dito que o foco do projeto todo era o Blues, mas aqui temos uma total exceção. Clapton regrava mais uma vez o Reggae, incutindo o poder de sua interpretação através das cordas de uma guitarra. O destaque positivo fica mesmo pelo inconfundível solado Slowhand.

6 - All of Me (por Gerald Marks, Seymour Simons)

Canção escrita em 1931, intepretada por Belle Baker e depois por Ruth Etting. A versão de Ruth carrega aquele Jazz bem enraizado e todo seu charme inerente - tanto nos instrumentos quanto na interpretação de Etting. Foi uma canção bem popular, sendo interpretada por muitos artistas, proeminentemente Bing Crosby, Billie Holiday, Louis Armstrong, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e vários outros.

A versão de Clapton tem Paul McCartney o acompanhando nos vocais - Paul também tocou baixo na gravação. Paul mostra aqui que sua voz ainda tem a característica força de outrora, sendo um bom reforço aos vocais mais singelos de Eric. Obviamente esta versão parece muito contemporânea se comparada com a original, mas com o verniz Blues que Clapton propôs.

7 - Born to Lose (por Ted Daffan)

Considerado um hino Country (possivelmente antes dele ter sido banalizado bovinamente como aconteceu), esta canção foi escrita por Ted Daffan em 1942. Muito popular, a canção já foi gravada em uma versão mais melancólica pelo Ray Charles.

A interpretação de Eric, aliás, soa muito mais próximo do que veio a ser conhecido mais tarde como Country do que a gravação original. A qualidade no quesito instrumental carrega a marca da guitarra de Clapton. A canção ficou mais pomposa com backing vocals, mas nada mais que isso. Apesar do bom trabalho, a versão original de Ted Daffan acaba sendo melhor.

8 - Still Got the Blues (por Gary Moore)

A obra prima de Gary Moore, um clássico do Blues Contemporâneo (se é que posso chamá-lo assim), "Still Got The Blues" carrega toda a força musical da palavra Blues em sua melodia triste e cordas com uma melodia forte e inspiradora - e os vocais de Moore nunca estiveram tão bem acomodados. As linhas que atravessavam os dedos de Moore e chegavam até as cordas da guitarra são de fato incríveis. Gary escreveu a música em 1990 e curiosamente foi comercialmente favorável, apesar do imenso valor musical.

Nunca imaginei uma versão desta canção que fosse no mínimo aceitável, imaginando que seria feito algo de diferente do original como maneira de ser mais inventivo. Em resumo, nunca acreditei que ninguém pudesse fazer justiça ao legado desta canção. Porém, o que Clapton fez aqui, mesmo sem repetir o principal e característico riff da canção, é surpreendente. Eric já havia tocado esta canção ao vivo, pelo menos desde 2011. (Que talvez tenha sido uma maneira de homenagear Gary Moore, falecido no começo do ano.)

Amenizando a canção ao acústico, com um acompanhamento de um orgão (tocado pelo Steve Winwood), Eric consegue com simplicidade fazer algo tão belo e tocante quanto o poderoso Blues que Gary exalava de sua guitarra. Memorável.

9 - Goodnight Irene (por Huddie Ledbetter, John A. Lomax, Sr.)

Escrita no distante ano de 1933, esta canção foi gravada em primeira mão pelo músico de Blues Huddie 'Lead Belly' Ledbetter. Como é de praxe, a letra fala sobre frustração e triste (neste caso, com a tal da Irene). Frank Sinatra, Johnny Cash, Jerry Lee Lewis e Little Richard também gravaram uma versão para a canção.

A versão de Clapton é um pouco mais completa, como já era de se esperar. Vemos aqui apenas uma versão mais atual, sem grandes diferenciais. Das canções cover apresentadas no álbum, esta é, até o momento, a mais irrelevante. Não teve um grande atrativo ou diferencial - a não ser que você não tenha gostado da versão de Lead Belly.

10 - Your One and Only Man (por Otis Redding)

O cantor de Soul Otis Redding faleceu muito jovem. Aos 26 anos, morreu em um acidente de avião. Dentre as obras de seu acervo temos "(Sittin' On) The Dock of the Bay", gravada dias antes de seu acidente, e lançada no mês seguinte, em um álbum póstumo. "Your One and Only Man" foi lançada no segundo álbum, de 1965.

A versão de Eric teve uma pegada mais puxada para o Reggae, afastada do Blues e mais longe ainda do Soul. Como a qualidade musical do Soul é muito superior à do Reggae, a versão original de Redding é mais proveitosa. Mas tirando o excesso de do Reggae, a versão de Eric é muito boa.


11 - Every Little Thing (por Doyle Bramhall II, Justin Stanley, Nikka Costa)

Segunda e última faixa original do álbum, "Every Little Thing", ao contrário da outra canção inédita do álbum, não utiliza a pegada roqueira da mesma maneira. Temos mais impregnação do Reggae, que a esta altura podemos ver que já influenciou Eric demais. Acredito que Clapton, ou alguém da produção, teria escolhido fazer um contraponto entre as duas canções originais do álbum. Uma mais agitada e outra mais amena, para diversificar. Na batalha entre as duas, "Gotta Get Over" vence com folga.

12 - Our Love Is Here to Stay (por George Gershwin, Ira Gershwin)

Canção popular do Jazz, composta pelos irmãos Gershwin em 1938 para o filme The Goldwyn Follies. Dentre os compositores, temos em destaque a interpretação de Ella Fitzgerald. A canção tem perfeitamente o clima do Jazz dos anos 30. Curiosamente, a versão de Clapton não se difere muito, mantendo-se mais fiel aos original. Com relação à performance vocal, Ella vence o Slowhand - apesar da versão dele ser tecnicamente um pouco melhor.

13 - No Sympathy (por Peter Tosh) - Faixa Bônus

Ainda caminhando sobre as raízes e influências do Reggae que já ditaram muito em sua carreira, Clapton fez mais uma versão de Peter Tosh. "No Sympathy" saiu no mesmo álbum que "Till Your Well Runs Dry", no ano de 1976. É mais um Reggae, bem fiel e competente ao seu propósito. Possivelmente um dos melhores exemplares do gênero - justificando a sábia escolha de Eric.

Infelizmente, ainda não encontrei a versão de Eric disponível. Posteriormente complementarem esta parte.

No geral foi um ótimo trabalho do guitarrista. Nada grandioso, do jeito que ele quis. Apenas fazer boa música, sem se preocupar em agradar um grande público. E que venha mais um trabalho destes!

domingo, 4 de setembro de 2011

AMR - 50's Jukebox 2

Artista: Bo Diddley
País de Origem: Estados Unidos da América
Estilo: Blues, Rhythm & Blues
Hits: "Bo Diddley", "Pretty Thing", "Road Runner"
Hit da Jukebox: "Bo Diddley" (1955, #1US R&B)


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O músico Ellas Otha Batesa, mais conhecido como Bo Diddley, foi um grande referencial para a música - mais especificamente o Blues. Um dos ídolos de Eric Clapton, Diddley tinha suas peculiaridades, como a guitarra retangular e o fato de fazer questão de ter uma mulher empunhando uma guitarra em suas apresentações. Ele fazia questão de fazer a diferença de alguma forma e ser autêntico.

A música é simples e efetiva em seu intento. É R&B antigo, do bom e executado por um guitarrista conceituado e idolatrado por grandes músicos como uma grande inspiração.

Não tenho muito o que dizer sobre. A canção já diz bastante. Mas ainda sim vou postar uma curta performance que achei demais:

sexta-feira, 24 de junho de 2011

AMR - Pérolas do "Pop" 5: Tears in Heaven

Uma música pode surgir da alma de um artista - ou da vontade de fazer alguma coisa grudenta para ganhar uns trocados. Você pode ouvir canções que sejam realmente profundas e tocantes como, por exemplo, uma das minhas canções favoritas de sempre, "Only Because of You" do álbum In the Eye of the Storm (1984) de Roger Hodgson (ex-Supertramp) - que ainda vou escrever um artigo sobre. Ou você pode ouvir qualquer coisa saída de qualquer Mc Créu ou Serginho e Lacraia (só pra citar dois, pra não perder tempo - sem relações com a morte da Lacraia que, musicalmente falando, ou artisticamente falando, não faz falta alguma).

Agora, se tem uma música que veio da alma (e, mais especificamente, da dor) de um artista, esta canção é "Tears in Heaven", do guitarrista inglês Eric Clapton. A perda de seu filho em um momento bom de sua vida o levou para o fundo do poço - de onde conseguiu sair bem (e de uma certa maneira, melhor do que estava antes). Além, claro, de ser uma obra muito bem feita e tocante - arte pura, até o último fio de cabelo.


Um dos maiores sucessos da carreira do guitarrista e uma grande e cativante canção. Uma das mais importantes dos anos 90, sendo uma das melhores baladas feitas na época - e tão uma peça marcante da música moderna.

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Sobre o artista: Eric Clapton iniciou sua carreira oficialmente com a lendária banda The Yardbirds. Após isso participou da John Mayall & The Bluesbreakers, o Cream, o Blind Faith, Delaney, Bonnie & Friends, Derek and the Dominos e por fim, sua carreira solo. Tendo suas raízes no Blues, Eric já passou por vários estilos, como Rock, Rock Psicodélico e Hard Rock. Conta com 20 álbuns de inéditas e vários outros projetos com outras bandas e artistas. Só seu álbum acústico vendeu 10 milhões de cópias nos Estados Unidos, sendo um dos mais bem sucedidos no estilo. É considerado um dos melhores guitarristas já surgidos, ao lado de Jimmy Hendrix, B.B. King, Duane Allman, Stevie Ray Vaughan, Mark Knopfler e vários outros. Contribuiu bastante com a difusão do Blues pelo mundo, sendo um dos artistas mais importantes da história da música.

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Clapton recebeu uma ajuda de Will Jennings (famoso compositor norte-americano, que tem em seu currículo trabalhos como "My Heart Will Go On" da Celine Dion, tema do filme Titanic de 1997, "Up Where We Belong" do Joe Cocker e Jennifer Warnes, tema do filme A Força do Destino, de 1982 e sucessos como "Valerie" e "Higher Love" do Steve Winwood, amigo e companheiro musical de Eric) para compor a letra da canção. Na verdade, Jennings se sentiu bem relutante em contribuir com Clapton em uma canção tão pessoal. De qualquer maneira, onde Eric entrou com sua alma, Will e Russ Titelman (renomado produtor norte-americano que já produziu artistas como The Monkees, George Harrison, Bee Gees, Paul Simon, The Allman Brothers e a já citada "Valerie" do Winwood) entraram com o resto, o corpo.


Eric não havia composto "Tears in Heaven" com a intenção de torna-la pública. Esta canção, assim como "My Father's Eyes" e "Circus Left Town" foram a maneira de Eric de dissipar sua dor e angústia pela perda de seu filho, naquilo que ele próprio descreveu como "um pesadelo acordado". As duas citadas chegaram, aliás, a serem tocadas no famosos disco acústico de 1992, mas acabaram sendo vetadas por Clapton, por achar que não estavam tão bem reproduzidas. Aliás, "Circus Left Town" descreve como foi o último dia que Eric passou com seu filho Conor - um passeio até o circo. E principalmente no caso de esta e "Tears in Heaven", ele consegue transmitir uma tristeza, beleza e melancolia genuínas.


Naquele ano, Lili Zanuck, diretora de cinema, quis que Eric trabalhasse na trilha-sonora de seu novo filme, Rush, que fala sobre detetives em um caso de tráfico de drogas que acabam se viciando - um campo que, infelizmente, Eric conhecia muito bem. Após Eric mostrar a Lili sua "Tears in Heaven", ela insistiu para que fosse incluída na trilha. Clapton, claro, ficou bem relutante, pois aquela canção era algo pessoal, como ele descreveu: algo que "ele fazia apenas para não ir à loucura, tocando insistentemente para si mesmo, modificando e aperfeiçoando constantemente até se tornar parte do seu ser". No final, Lili convenceu Eric.


Não muito distante disto, Eric lançou seu disco acústico onde revia clássicos do Blues e algumas canções suas. "Tears in Heaven" tornou-se o ato principal desta obra, tendo esta versão, em minha opinião, sendo melhor que a original por ser mais profunda na interpretação no geral. Titelman também se encarregou a produção deste trabalho, que contou com grandes músicos como Nathan East, Ray Cooper e Andy Fairweather-Low (colaboradores de longa data) e também Chuck Leavell, pianista também muito conhecido por seu trabalho com os Rolling Stones. A perícia impecável destes músicos ajudou bastante com a atmosfera necessária da coisa.


A perda de Conor foi decisiva para Eric em um ponto peculiar: sua dependência em álcool. Quando Conor faleceu, Eric já estava aproximadamente 2 anos sem beber. E ao ver seu filho pequeno nascer, ele foi adquirindo aos poucos a noção de que deveria parar. E a morte de Conor veio reforçar mais ainda este ponto. Certa vez, no programa de 12 passos, uma mulher disse para Eric: "Você acabou de tirar minha última desculpa para tomar um drique". Ele perguntou o que ela quis dizer e ela respondeu: "Sempre tive guardada em um cantinho da minha mente a desculpa de que, se algo acontecesse com meus filhos, eu teria uma justificativa para beber. E você me mostrou que isso não é verdade". Isso foi uma pontinha que daria início a uma iniciativa de Eric em montar um centro de reabilitação de dependentes do álcool, a Crossroads Centre.


Apesar da contribuição de Jennings e Titelman e de todo o resto do pessoal envolvido tanto no estúdio quanto na gravação do acústico, uma coisa fica mais do que clara: estas canções foram extraídas do coração e alma de um homem. São produtos da dor de uma pessoa que perdeu parte de si com a morte de uma pessoa querida e que conseguiu transpor isso através de sua arte. Sobre o acústico, Eric faz um comentário tocante:

"Russ produziu o álbum do show, e Roger parecia um pai coruja em cima do projeto, enquanto eu estava bem distante, insistindo em que deveríamos lançá-lo como edição limitada. Simplesmente não estava muito apaixonado por aquilo e, por mais que curtisse tocar todas as canções, não achava que escutá-las fosse lá tão maravilhoso. Ao ser lançado, foi o álbum de maior vendagem de minha carreira, o que serve para mostrar o quanto entendo de marketing. Foi também o mais barato de produzir e o que exigiu menor volume de preparação e trabalho. Mas, se você quer saber quanto de fato me custou, vá a Ripley e visite o túmulo de meu filho. Acho que é também por isso que foi um álbum tão popular; creio que as pessoas queriam mostrar sua solidariedade, e aqueles que não conseguiram encontrar outra forma compraram o álbum."

Eric mostrou que, apesar de toda a dor que você possa sentir, sempre podemos seguir, tirar a lição que deve se tirar e viver, com a certeza de que um dia tudo vai ficar bem. A canção foi muito bem acolhida, sendo um dos maiores sucessos da carreira de Eric e lhe rendendo três prêmios Grammy: Canção do Ano, Gravação do Ano e Melhor Performance Vocal Pop Masculina. "My Father's Eyes" e "Circus" (como ficou conhecida depois) tiveram seu lançamento oficial no álbum Pilgrim, de 1998. E após todos estes anos, em 2004 Eric resolveu aposentar "Tears in Heaven" e "My Father's Eyes" (a terceira canção não era frequentemente tocada nos shows), explicando:

"Eu não sinto mais a dor, que é muito uma parte de tocar estas canções. Eu realmente tenho que me conectar com os sentimentos que tinha quando eu as escrevi. Eles se foram e realmente não quero que voltem. Minha vida é diferente agora. Elas provavelmente precisavam de um descanso e talvez eu volte com elas com um ponto de vista diferente."

Eric provavelmente a aposentou para não sentir mais a mesma dor que sentia quanto lembrava de seu filho e talvez até para não banalizá-la. E de fato é uma canção que deve ser tocada apenas para se ouvir com a alma e o coração - pois foi de lá que ela saiu e é para onde deve ir sempre que for ouvida. Que o pequeno Conor esteja muito bem pra onde quer que tenha ido e que esteja muito feliz por imenso bem que fez para seu pai.

sábado, 12 de março de 2011

AMR - Ching Ching Ching (Nikka Costa)

Análise: Primeiro single do álbum PRO WHOA!, de Nikka Costa. Lançado em 2010, alcançou #77 nas paradas da Alemanha.


Ching? Hã?

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A filha do Don Costa cresceu. Se você não sabe de quem eu estou falando, muito provavelmente isso vai refrescar sua memória:


Se por um acaso isso não serviu, você deveria cogitar a hipótese de morar em outro lugar que não seja uma caverna...

Enfim, anos se passaram após a estréia desta estrela mirim, mais especificamente uns 30 anos! Algumas estrelas baixinhas conseguem uma carreira brilhante demonstrando muito talento para a coisa - Stevie Wonder e Michael Jackson, para citar dois grandes exemplos. Também há estrelas que não são exatamente um exemplo de qualidade artística genuína - Justin Timberlake, Bow Wow... e Justin Bieber? E existem os que acabaram ficando, digamos, em cima do muro.

Nikka Costa pode ser alocada nesta terceira categoria. Lançou ao todo 8 álbuns em toda sua carreira. E nunca mais se ouviu falar dela desde "On My Own". Ela é uma espécie de One Hit Wonder precoce. Seu pai, Don Costa, que é constantemente lembrado por seu trabalho com Frank Sinatra, lançou a carreira de sua filha - e acabou reforçando o título de One Hit Wonder após não ter influenciado mais sua vida artística - Costa faleceu em Janeiro de 1983, quando Nikka tinha 10 anos.


Após tantos anos, Nikka investiu na sua carreira percorrendo basicamente ritmos como Funk, Soul e Blues - o que denota que ela realmente queria tirar algo de qualidade de sua carreira. Porém ela nunca mais teve o destaque de outrora (excetuado um círculo fechado de poucos fãs legítimos).

Agora, aparentemente seguindo a moda, Costa lança seu novo single com uma pegada mais puxada pro... Electropop? Nah, não chega a tanto. Mas a parte do Electro é verdadeira. Talvez imaginando alcançar um público maior - ou simplesmente querendo seguir uma nova direção em sua carreira - ela resolveu realizar esta mudança. E "Ching Ching Ching" é apenas comum - principalmente se você considerar que ela já teve coisas muito melhores em sua carreira antes de tomar este novo rumo (exemplo: "Push And Pull" do álbum Everybody Got Their Something de 2001, que lembra a canção "Broken" da extinta banda feminina Antigone Rising).


A canção é uma balada agitada e bonitinha, assim como era bonitinho o rostinho infantil de Nikka (pegaram a referência)? Se você for considerar apenas "Ching Ching Ching", não houve algo que possa ser chamado de grande evolução - um retrocesso quando muito. Claro que é válido a vontade dela em querer aparecer mais, seja por uma maior projeção artística, $eja por algun$ outro$ motivo$ de$conhecido$, mas neste caso faltou talvez um pouco mais de ousadia.

Resumindo, Nikka e sua voz são sim boas. Mas eles combinam muito mais com um violão do que com artifícios eletrônicos...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

AMR - 90's Jukebox 8

Artista: Gary Moore (04/04/1952)
País de Origem: Irlanda do Norte
Estilo: Hard Rock, Blues, Rock, Jazz
Hits: "Parisienne Walkways", "Out in the Fields", "Still Got the Blues (For You)", "Cold Day in Hell"
Hit da Jukebox: "Still Got the Blues (For You)" (1990, #31UK)


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O guitarrista norte-irlandês Gary Moore nasceu em meio aos problemas de seu país envolvendo o IRA (Exército Republicano Irlandês) e o Reino Unido - o desejo do IRA em se separar do Reino Unidos e os conflitos religiosos. Durante sua adolescência, passou a ouvir grandes ídolos da guitarra como Jimi Hendrix e Eric Clapton (ao mesmo tempo amigos e rivais), o que com certeza serviu de grande inspiração para seu futuro como guitarrista.

Moore é um músico que já explorou alguns vertentes da música durante sua carreira. Indo desde o Blues e Jazz até o Hard Rock. Já trabalhou com artistas como Ozzy Osbourne e a banda de Rock Thin Lizzy (das ótimas "Whiskey in the Jar" e "The Boys Are Back in Town"). Fora que, durante mais ou menos 5 anos, Gary pertenceu a uma banda de Blues-Rock/Rock Psicodélico chamada Skid Row (não confundir com a banda norte-americana de Heavy Metal). Neste período, Moore adquiriu grande notoriedade, chegando a tocar com o lendário ex-guitarrista dos Beatles, George Harrison (inclusive na guitarra solo em uma versão ao-vivo da clássica "While My Guitar Gently Weeps", onde a guitarra solo era originalmente tocada por seu ídolo, Eric Clapton).


Apesar de todo este currículo que Gary Moore carrega em sua bagagem musical, sua maior pérola, seu Magnum Opus da guitarra é a canção "Still Got The Blues (For You)". Além do clima melancólico que os acordes poderosos da guitarra carregam, Moore é capaz de fazer uma guitarra "chorar" como poucos por aí. Assim como é o caso de canções como "Brothers in Arms" do Dire Straits, onde Mark Knopfler consegue fluir seus sentimentos de maneira bela e tranquila através da guitarra, podemos sentir uma onde semelhante vinda do som de Moore, de uma maneira um pouco mais poderosa.

Além de conseguir fazer sua guitarra "chorar gentilmente", Moore também é dotado de uma excelente e desfrutável voz - o que com certeza foi o ponto principalmente para impulsioná-lo para uma boa carreira fora das bandas, com destaque próprio. Do mesmo jeito que Eric Clapton conseguiu um destaque maior em carreira solo do que quando estava nas várias bandas do qual fez parte ou fundou (Yardbirds, John Mayall & the Bluesbreakers, Cream, Blind Faith e Derek and the Dominos).


"Still Got The Blues (For You)" tem um dos riffs de guitarra mais famosos dos anos 90 e até da música, do Rock mundial. Tem a força e a delicadeza paradoxalmente unidas em uma voz que emana melancolia pura. Com certeza, um grande clássico.

No final das contas, Gary Moore pode, sem dúvida, ser posto no mesmo hall de guitar heroes onde se encontram George Harrison, Eric Clapton, Mark Knopfler, Jimi Hendrix e vários outros artistas que conseguem fazer de sua guitarra também sua voz - e chorar através dela.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Especial - Review Norah Jones no Teatro Positivo (Curitiba)

Sim, a filha do lendário Ravi Shankar veio ao Brasil. Norah Jones, a musicista do Jazz e do Blues veio para cá com sua turnê The Fall. A cantora passou por Curitiba (cidade que infelizmente é esquecida por boa parte dos artistas) e deu seu show no dia 12/11. Minha amiga Kauana Chagas esteve no show e escreveu um texto relatando um pouco sobre a experiência que teve com o acontecido.


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Uma Jornada Para o Show

Para uma pessoa que nunca foi num show de teatro (ou seja, somente de público maior, aqueles em que as pessoas geralmente ficam 6 horas em uma fila e ainda por cima não conseguem ficar na frente) achei que seria a mesma coisa de sempre - já estava meio desperada com medo de chegar atrasada no show que comecaria às 21h. Sai de casa às 19h e já fiquei irrtada por causa do trânsito, morrendo de medo de ter um monte de gente, uma multidão na entrada e eu nem conseguir entrar no Teatro Positivo - mesmo as poltronas sendo numeradas, eu já maginava alguém sentado em meu lugar e eu tendo que brigar com o segurança para tira-la de lá.

Enfim, meu desespero foi à toa, pois cheguei ao local às 20h. Havia várias pessoas dentro do hall do teatro e eu já fui meio que entrando, mas o segurança me parou e disse: 'só daqui uns 40 minutos o publico poderá entrar'. Ah tá, que beleza! Todas aquelas pessoas faziam parte do evento (antes eu tivesse trabalhando no evento, assim não teria gasto tanto dinheiro, hehehe). Eu fiquei na espera, do lado de fora, quando começou um vento desesperador - tudo o que eu precisava! Apesar de ter sido a primeira a chegar, esqueci de me agasalhar bem e o resultado foi um vento congelador que peguei. Mas logo uma menina chegou e, como eu não gosto nada de conversar, já fui puxando o clássico assunto 'tá frio, né?'. E daí em diante o tempo voou - a Simone, garota que conheci, faz jornalismo e então sobrou assunto para conversamos (afinal, letras e jornalismo até que têm uma sincronia legal, hehe!).

Clique para ampliar!

Achei meu lugar na 4ª fileira, poltrona nº 34. Sentei e fiquei super feliz porque faltavam somente 15 minutos para começar o show. Ah! Doce ilusão... uma dupla de músicos de jazz abriu o concerto - tinha me esquecido que o mais importante nunca começa de imediato, sempre tem um suspense antes para o que vem a seguir. Mas os músicos eram muito bons e inclusive um deles compôs a canção "Don't Know Why" que Norah tocou no final e o chamou para tocar juntos. O problema era que eu precisava sair do teatro às 22h15, no máximo, porque eu iria viajar e às 23h precisava estar no local. Então um novo desespero começou e eu corri o risco de não chegar no local para pegar o ônibus em tempo e ficar em Curitiba no feriado. Mas para minha sorte o ônibus era locado, então não tinha hora certa pra sair, assim puderam me esperar.

Foi às 21h45 que os músicos param de tocar e 15 minutos foi o tempo necessário para ajeitar o cenário para Norah. Super fofo! Colocaram um abajur bem do jeitinho dela, super delicado. Foi então que às 22h que soou um sinal de alerta de que o concerto começaria (foi o único momento em que percebi que o público ficou mais agitado). Norah Jones entrou magnífica tocando na guitarra a música "I Wouldn’t Need You". Aliás, o que mais me surpreendeu no show foi o fato de que ela tocou mais guitarra do que piano, e seu domínio sobre a guitarra era excepcional, não só tocando guitarra base mas também uns solos muito perfeitos - o que destacava que ela não estava fazendo de conta que tocava guitarra também. Logo que terminou a música a primeira coisa que comentou com o público foi o fato de terem montado os equipamentos longe da platéia, então ela já comentou "tem um espaço tão grando aqui no meio, vocês não acham? Poderia ter umas dançarinas aqui (risos). Mas eu vou para mais perto depois.".

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Às 22h20 meus pais já me ligaram falando que estavam quase chegando para me pegar, mas tinha acabado de começar o show então falei para minha mãe que ficaria até as 22h40 para pelo menos não perder todo o show, mas chegou o horário e eu não conseguia ir, as músicas "Waiting", "Back to Manhattan" entre outras eram tocadas e me seguravam ainda mais... foi então que às 23h15 com a última música "Don't Know Why" que eu consegui me levantar para sair. Norah e seus músicos até se despediram, mas quando eu estava subindo as escadas eles voltaram para o palco e cantaram mais uma música, a qual não consegui ver porque já estava super atrasada.

Bom, resumindo o tudo foi maravilho (tirando a parte que não consegui tirar foto porque era proibido e toda vez que tentava tirar uma foto tinha um segurança com um laser que o mirava na sua cara, impedindo que fosse tirada uma foto se quer – eu pelo menos não consegui). A Norah é super atenciosa, foi mais próximo do público várias vezes e sem contar a voz, que é igual as gravações dos CDs: perfeita, afinada e encantadora. Valeu a pena cada centavo, e não vejo a hora do próximo show para poder prestigiar a parte boa da musica que ainda existe.

Kauana Chagas

domingo, 29 de agosto de 2010

AMR - 70's Jukebox 10

Artista: Fleetwood Mac (1967 - presente)
País de Origem: Inglaterra
Estilo: Rock, Pop Rock, Soft Rock, Blues Rock
Hits: Vários
Hit da Jukebox: "Dreams" (1977, #1US - #24UK)


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Poucos ouviram falar ou conhecem algo significante sobre esta banda. O Fleetwood Mac é uma banda de Rock mais voltada para um Blues, bem parecidos com o estilo do Eric Clapton - porém sem tanta ênfase assim no Blues. A parte Soft Rock deles também é bem interessante, para se ouvir em momentos de calmaria, sem estresse. A voz de Stevie Nicks é delicada (lembrando um pouquinho Dolly Parton, em alguns momentos), guiando o balanço digamos "aveludado" da canção.

A canção "Dreams" e o álbum Rumours foram gravados em momentos tensos para os componentes do grupo. Com o baterista Mick Fleetwood estava atravessando um divórcio, o baixista John McVie e a tecladista Christine McVie estavam se separando e por último, o guitarrista Lindsey Buckingham e a vocalista Stevie Nicks encerravam um relacionamento de oito anos. Lutaram para que o lado pessoal de suas vidas não atrapalhasse o lado profissional.


Stevie Nicks escreveu a canção em aproximadamente 10 minutos, num dia em que não foi requisitada no estúdio. De qualquer maneira, ela foi em outro estúdio desenvolver a ideia em um piano (reza a lenda que o estúdio em que ela frequentou pertecia a ninguém menos que Sly Stone, da banda de Funk e Soul Sly & Family Stone). Ela tocou piano e arranjou um fundo de bateria para a canção, como uma demo. A banda ouviu e decidiu gravar.

Porém, logo de cara a tecladista Cristine McVie achou a canção um tanto monótona e tediosa. Apenas após o guitarrista Lindsey Buckingham ter mudado os arranjos é que McVie acabou despertando interesse pelo projeto.


O resultado é que "Dreams" se tornou o primeiro e único primeiro lugar da banda nos Estados Unidos e uma das suas mais conhecidas canções no mundo - uma pérola do Soft Rock. Inclusive a canção foi gravada pela banda de Folk Rock e Rock Celta, The Corrs. Aqui fica o vídeo para registro:

domingo, 25 de julho de 2010

AMR - A Night Like This (Caro Emerald)

Análise: Segundo single do álbum Deleted Scenes From the Cutting Room Floor, da cantora Caro Emerald. Lançado em Dezembro de 2009, alcançou #2 em seu país, os Países Baixos.


Enquanto isso, em mais uma noite em algum conservatório no Amsterdam..

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Honestamente, o único projeto musical relevante que eu conheço vindo dos Países Baixos é a banda Shocking Blue, de Mariska Veres. Isto até surgir a cantora Caro Emerald (Caroline Esmeralda van der Leeuw), estudante de jazz e ex-participante de corais harmônicos - figura conhecida de vários eventos musicais de seu país. Caro apareceu com a canção "Back It Up", que foi escrita originalmente para algum grupo Pop japonês (que na verdade serviria como uma luva para a Lily Allen).

Considerando que o Shocking Blue iniciou suas atividades em 1967 e que Caro se lançou lá por 2008, os Países Baixos mostram um vácuo musical de 41 anos (auhaahhauahua, brincadeira)...


Caro faz uma divertida mistura de Jazz com Pop de uma maneira contemporânea, sem nos fazer lembrar do Jazz de raíz - como Amy Winehouse faz (com esmero). Por alguns segundos, até pensei que fosse a cantora de Indie Pop Ingrid Michaelson (da divertida "Be OK"), fazendo alguma coisa envolvendo o Jazz - a canção é tão descontraída quanto Michaelson pode soar. Um projeto diferente mas que não quer ser nada mais que interessante, sem grandes pretensões. Ainda sim, seria muito interessante que Caro conseguisse uma exposição maior no mundo da música - o fato de que esta canção foi escolhida como tema de uma propagada da bebida Martini (naquele país) não é lá algo de muito potencial para divulgações...

E já que citei Lily Allen, de fato "A Night Like This" também parece ser um projeto dela - inclusive uma certa semelhança com sua "Knock 'em Out" e o clima meio "Alfie". Porém a voz de Caro é bemmm superior a de Allen. Parece que Emerald fez a lição de casa direitinho enquanto esteve no conservatório. Sua voz é realmente muito proveitosa, sendo uma espécie de contra-ponto da voz de sua conterrânea, vocalista do Shocking Blue (não que Mariska tivesse uma voz ruim, apenas menos - bem menos - feminina).

"A Night Like This" é uma opção (bemmm) diferente, uma canção bem legal, um achado no meio de tanto Sertanejo Universitário, Hip-Hop travestido de Pop e etc.


Enquanto Amy Winehouse continua se engalfinhando com a mídia e por algum motivo atrasando o lançamento de seu novo álbum, dá pra se divertir muito com outros artistas por aí que se utilizam de Jazz e Blues para dar uma base decente para sua música. E no caso de Caro e seu descontraído Jazz, é diversão sem receios.