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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Especial - Miley Cyrus e o final de Hannah Montana

Eu vi esse texto no site Pollstar.com, que escreve artigos sobre música e é muito respeitado entre os executivos da indústria, e achei que fez justiça. Espero que gostem!


Ela é tudo isso (Ou pode ser)

Na sexta-feira (08/01/2010), O New York Post reportou que a descendente mais bem sucedida de Billy Ray Cyrus iria pendurar as chuteiras depois do término da atual temporada de Hannah Montana.

Adam Bonnett, vice presidente Sênior de Programação da Disney, disse ao Post que um episódio de março do programa é um especial que será um "grande evento de uma hora em que descobriremos qual será a decisão de Miley Stewart. É uma das coisas com as quais ela tem lutado por meses - se é hora de tomar a decisão de continuar a ser Hannah Montana ou ser somente uma garota comum."

Apesar de o movimento ser esperado há algum tempo, o mundo tornou-se um pouco mais obscuro para milhões de pré-adolescentes. Mas todos podemos concordar que a cantora e atriz merece uma chance para crescer além do programa que a fez estrela e continuar com uma longa e feliz carreira, certo?

Bem, nem todos desejam felicidade à sorridente Miley.

Vocês todos sabem que a cantora e estrela do Disney Channel só tem 17 anos, correto? Então, mesmo que ela esteja sob holofotes há vários anos e seja conhecida por bilhões de pessoas mundo afora, sua vida só está começando. Seu futuro estava gravado em pedra aos 17? Eu acho que não.

Sim, "Hannah Montana" é muito idiota. À nível de entretenimento, é algo entre "The Patty Duke Show" e "The Brady Bunch Variety Hour". E daí? É um programa escrito para pré-adolescentes televisionado exaustivamente no Disney Channel. É feito para ser idiota. Eu aposto meu próximo aumento que há um programa da sua juventude que você venera e que se encaixa na mesma categoria. (O meu é "Land Of The Lost", um programa absolutamente ridículo com as piores atuações já vistas numa tela de TV e efeitos especiais ainda piores. Mas ainda o guardo com carinho na minha memória.)

Que tal todos nós respirarmos fundo e darmos um passo para trás antes de irmos em frente? Olha aí, eu já me sinto melhor, e você?

Eu não acho sábio (e certamente não é justo) desclassificar Miley tão rapidamente. Muitas pessoas na indústria do entretenimento tem começos bem toscos no currículo.

Janet Jackson começou na incrivelmente desbalanceada sitcom dos anos 70, "Good Times", Fergie e Martika aprenderam a fazer o que fazem no deplorável "Kids Incorporated" e Alanis Morissette ganhou experiência no programa infantil canadense /favorito dos cults "You Can't Do That On Television". E essas são só as garotas.

O queridinho da crítica George Clooney tem passagens em "The Facts Of Life", "Golden Girls" e "Return of the Killer Tomatoes". E preciso lembrá-los que um grande favorito e nomeado ao Oscar, Johnny Depp, passou por "21 Jump Street" basicamente por ter um bom cabelo e ossos do rosto bem localizados?

A verdade é que, nenhum de nós - incluindo Miley - pode realmente saber o que ela acabará fazendo. Mesmo que esteja claro que ela tenha alguma habilidade como cantora/letrista ("Party In The USA" acabou, surpreendentemente, em várias listas de "Melhores Do Ano", no mês passado), a música pode não ser seu destino final.

Só pense : ela pode acabar como uma atriz vencedora de um Oscar. Coisas mais estranhas já aconteceram. Afinal, Helen Hunt começou afundando sua carreira com "The Swiss Family Robinson" e depois de interpretar uma adolescente precoce em "Gidget", Sally Field tinha o "hábito" de se meter em encrencas.

Então quer seu quarto esteja repleto de pôsteres do rosto sorridente de Miley, quer você quase bata seu carro toda vez que uma de suas músicas toque no rádio, dê a ela um tempo. Você pode ter uma boa surpresa com o que ouvir (ou ver) um dia desses.

PS: Algumas partes eu não joguei no post por simplesmente não acrescentarem nada.


Texto original : http://www.pollstar.com/blogs/news/archive/2010/01/11/704829.aspx

sábado, 2 de janeiro de 2010

AMR - Party In The USA (Miley Cyrus)

Party In The USA é o 1° single do novo álbum The Time Of Our Lives de Miley Cyrus. E justamente tive vontade de comemorar quando vi do que se tratava.


And a Geyse song was on, and the Geyse song was on...

A letra fala da mudança de Cyrus de Nashville para Los Angeles e como ela por vezes sentia-se fora do lugar com todos os excessos e modismos diferentes de Hollywood - mas quando suas canções preferidas eram tocadas, a sensação era de que estava em casa :

My tummy's turnin' and I'm feelin' kinda home sick
Too much pressure and I'm nervous
That's when the taxi man turned on the radio
and a Jay-Z song was on
and the Jay-Z song was on
and the Jay-Z song was on

Agora, talvez você esteja se perguntando o mesmo que eu : Miley Cyrus escuta Jay-Z? A resposta é : não. Segundo o que a própria cantora declarou numa entrevista, ela mal conhece os trabalhos do rapper. Acontece que a letra não foi escrita por Miley, mas sim por Lukasz Gottwald, Claude Kelly e Jessica Cornish e nem mesmo foi originalmente destinada à cantora - na verdade, foram feitas algumas pequenas alterações em sua estrutura para fazer sentido com a vida de Cyrus. Provavelmente não tivemos doses de adolescentismos na canção justamente por causa de sua não colaboração com a letra - felizmente, pois esta ficou no ponto. Não especificando necessariamente nenhuma faixa etária, a música ganhou um senso de universalismo maior e fez com que as pessoas pudessem se identificar com mais facilidade.

A cantora pode tentar "não esquecer das raízes" o quanto quiser com botas de cowboy, chapéus, carros antigos e festas à la Tennessee, mas a estrutura musical pouco lembra a "origem" country : a canção faz uso de sintetizadores e poderia muito bem ser algo vindo do No Doubt. E falando em origem, há uma coisa aqui que tira um pouco da originalidade da canção : o riff principal é quase idêntico ao de Beast Of Burden dos Rollings Stones, apesar de a equipe de produção ter declarado que o plágio não foi intencional.

Transcendendo os trabalhos um tanto quanto enjoativos de Breakout, a cantora conseguiu com esse single chegar a um novo nível qualitativo. A faixa é um Pop Rock que talvez ainda não faça jus a um #2 na Billboard Hot 100, mas que dá de 100 a zero em todas as canções do CD anterior. Tudo aqui está em seu devido lugar - voz e arranjo instrumental se unem para talhar uma das canções mais divertidas do top 10 americano dos últimos tempos.


Um comentário a parte sobre o videoclipe : não sei se isso foi determinado com antecedência ou não, mas parece que o diretor do vídeo não pegou bem o espírito da coisa : enquanto a letra fala em certos momentos da insegurança de Cyrus em relação à mudança de ambiente, o clipe mostra uma Miley confiante o tempo todo - e que aparentemente nem foi pra LA. A filmagem acontece num antigo Drive-In - bem longe da Califórnia - no qual os pais da cantora tiveram o primeiro encontro.