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domingo, 25 de setembro de 2011

Especial - Rock in Rio 4 2011 - 23/09


Começo aqui um pequeno review da série de shows do Pop in Rio, digo, Rock in Rio. O dito maior festival de rRock do mundo realizado pelo empresário Roberto Medina foi mais Pop do que Rock. Mas vamos ao que interessa! Não vou citar em ordem, apenas citas...

Elton John


Na noite do dia 23, tivemos no Palco mundo uma das atrações mais agaurdadas para quem entende e gosta mesmo de música ou para quem tem pelo menos mais de 35 anos: Elton John. O legendário pianista e compositor inundo o palco com inúmeros clássicos de sua consagrada carreira, como "Bennie and The Jets" (uma das minhas favoritas), "I Guess That's Why They Call It The Blues", "Skyline Pidgeon", "Goodbye Yellow Brick Road", "Rocket Man" e várias outras. Com certeza, uma grande pedida para quem gosta de Rock e derivados. Mas como tudo tem seu tempo útil, ou quase, nosso Elton já não tem mais a mesma voz de antigamente - apesar de ainda bem forte e consistente. E, claro, sua inegável habilidade no piano - de cair o queixo.


Katy Perry


Da leva atual da música, temos um exemplar do que não chamar de Rock - e, por consequencia, não estar em um festival deste porte: Katy Perry. Não tenho nada contra ela, mas digamos que ela estar aqui seria o mesmo equívoco que foi Britney Spears estar no Rock in Rio 3. Pelo menos a Perry aqui cantou de verdade, em vez de apenas fazer um exercício mudo com sua mandíbula. Os grandes hits "Teenage Dream", "Firework", "Waking Up In Las Vegas" e as ótimas "I Kissed a Girl" e "Hot 'n' Cold" estiveram presentes - inclusive a chata e arrastada "Thinking of You". Ela é uma boa artista do Pop, mas tirando seus dois primeiros hits, ela não deveria estar aqui (é constrangedor ver coreografias de Pop num festival de Rock...).


Rihanna


Ela é com certeza uma das maiores divas do Pop da atualidade. E assim como citei no caso da Katy Perry, Rihanna NÃO deveria estar aqui. Eu poderia dizer também que sua presença é tão inconveniente quanto a do Carlinhos Brown no Rock in Rio 3, que até foi agredido com uma chuva de garrafas plásticas pela platéia. Mas como só o Chris Brown pode agredir a Rihanna com o que quer que seja...

Ela, que já tem mais tempo de estrada e mais discos lançados que Katy Perry (o que não é indicativo de qualidade, é claro) alternou entre momentos mais assimilativos e outros mais, digamos, "hãa... quando ela vai cantar 'Umbrella'?". Ela cantou algumas de suas melhores canções, como a recente "Only Girl (In the World)", a meio sem noção "Disturbia", aquela que mais se aproxima de Rock "Shut Up the Drive", "Don't Stop the Music", "Unfaithful" e, para quem muito queria, "Umbrella" - que ficou por última no show. Infelizmente ela acabou cometendo coisas como "Love The Way You Lie" e "Rude Boy". Quando eu achava que a voz dela estava melhorando e muito, ela deixa a desejar com uma performance vocal abaixo da média neste show. Rock in Rio, Rihanna, Rock!


Cláudia Leitte


Se eu reclamei do Pop do novo milênio de Katy Perry e Rihanna, o que dizer do Axé? Cláudia Leitte e sua bola de sabão poderia ser algo aceitável no Palco Mundo? Bem, se fosse um Rock in Elevador Lacerda, era provável, mas aqui me deixou a curiosidade de como reagiram aqueles roqueiros mais fanáticos e aprofundados no assunto, com seus cabelos compridos e camisetas pretas. Devem ter tido algum tipo de ataque ou coisa pior. Enfim...

Cláudia Leitte fez cover de Led Zeppelin com "D'yer Maker" (que na verdade é a banda tocando Reggae), Lulu Santos com "Descobridor dos Sete Mares" e "Dancing Days" (Lulu participou da primeira edição do festival) e até mesmo Jorge Ben Jor com "Taj Mahal". Obviamente por ter faltado o que tocar em um show como este. Quem vai ao Rock in Rio não quer Axé, quer Rock. Se no show de mais de 1 milhão de pessoas do Rolling Stones houveram vários delitos cometidos, neste show vários roqueiros devem ter se matado.


Shows de Abertura

Paralamas do Sucesso, Titãs, Milton Nascimento e Maria Gadú

O set dos Paralamas contou com ótimos clássicos como "Óculos", "Alagados", "Loirinha Bombril" e "Meu Erro", enquanto os Titãs tiveram "Sonífera Ilha", "Marvin" e "Epitáfio" (houve a participação da Maria Gadú). São boas canções de bandas que são de fato Rock. Porém, diferente do que foram eles num passado distante, a coisa não soou tão maravilhosa assim. A apresentações, apesar de genuína e coerente comparando com o que a noite teve, foi um tanto "dinossáurica". Com certeza foi muito divertido, principalmente comparado com o atual universo do festival. Foi como uma aula de Rock para quem ainda seria obrigado a ouvir Rihanna, Cláuida Leitte e Katy Perry...


Maria Gadú e Milton Nascimento? Rock. Acho que não preciso fazer comentários mais consistentes do que isto para descrever tla "situação". Os nomes falam por si só.

Em breve, o review da segunda noite!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

AMR - A História de Lily Braun (Maria Gadú)

Análise: Quarto single do álbum homônimo da cantora Maria Gadú.


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Primeiramente, vamos desvendar a origem de Lily Braun!

A canção foi composta por Chico Buarque e Edu Lobo para um espetáculo musical em 1983 - baseado em um poema de Jorge de Lima, datado em 1938, gerando uma turnê. O musical era algo bem diversificado, misturando poesia, balé e teatro - dentre vários outras vertentes artísticas. Foi uma turnê muito bem sucedida, com público total de 200 mil pessoas em quase 200 apresentações, englobando até mesmo outro país, Portugal.


Na trilha-sonora lançada, "A História de Lily Braun" é interpretada por Gal Costa. O projeto inteiro contou com a participação de artistas como Milton Nascimento, Simone, Gilberto Gil, Tim Maia e Zizi Possi. Gente de peso, projeto de "responsa"!

Em 2009, a canção foi resgatada por esta revelação da MPB, Maria Gadú - que apareceu bastante com o hit de estréia, "Shimbalaiê". Gadú, com seus 23 anos, tem uma voz bonita, apesar de não ser tão distinta. Ela já interpretou o clássico "Ne Me Quitte Pas" (que se encontra seu disco de estréia) e até já trabalhou com a cantora Ana Carolina.

É simplesmente impossível analisar este trabalho de Maria Gadú sem compará-lo a versão original de Gal Costa e também sua versão interpretada pelo compositor da faixa, Chico Buarque. Logo me vejo obrigado a fazer uma tripla análise. Então vamos primeiro analisar as versões de Maria Gadú, Gal Costa e Chico Buarque, respectivamente - e fazendo as devidas comparações.

Maria Gadú


Maria manteve aquele clima meio blues, meio jazz que permeia as duas versões anteriores. Uma das diferenças é que aqui o clima da canção é cadenciado, ou seja, tem um clima mais ameno, mais traquilo - adaptado ao estilo vocal de Gadú. Aliás, todas as versões nos fazem imaginar aqueles bares dos anos 30 - ou qualquer época relacionada. É algo realmente diferente na MPB atual, o que não deixa de ser irônico: algo distinto na atual MPB é na verdade um resgate da antiga MPB tendo como base um trabalho de um consagrado músico do estilo - com o detalhe de ser um projeto de uns 26 anos de idade!

Gal Costa


Bem... Gal Costa é uma consagrada cantora, considerada a melhor em território nacional. Ou seja, pode parecer um grande covardia compara-la com alguém no comecinho como Gadú, mas vamos lá. O o clima aqui já é um pouco mais movimentado, lembrando velhos clássicos do jazz. Somando isso a grande e graciosa voz de Gal Costa, podemos dizer que isso poderia mesmo ter sido composto em épocas antigas, tipo uns 50 anos atrás - e sim, isso foi, definitivamente um elogio. Buarque conseguiu fazer um reinvenção de estilo, assim como Gadú conseguiu tirar o pó de cima consideralvemente.

Chico Buarque e Edu Lobo


Como boa parte dos compositores que escrevem e compõe para outros artistas ou projetos, Chico Buarque fez a sua versão para seu trabalho. A letra criada por Chico Buarque e Edu Lobo tem aquele charme e mistério exigidos para tal projeto. Buarque é um bom intérprete, isso é tão incontestável quanto o título de melhor cantora do Brasil que Gal Costa ostenta. Mas que é muito estranho um homem cantar uma letra com uma protagonista, isso é! Chico e Edu cantando coisas como "[...] o homem dos meus sonhos [...]" e "[...] disse que meu corpo era só dele aquela noite [...]" soa realmente estranho. Me lembra quando Barry Gibb, do Bee Gees, tentava interpretar, com sua banda, canções que eles fizeram para cantoras como Samantha Sang e Barbra Streisand - o resultado final era um Barry um tanto sem graça modificando a letra "I'm a woman in love" para "you are a woman in love". Claro que neste caso, não tem como fazer qualquer alteração, nem de gênero.

Enfim, Gadú teve o mérito de fazer um bom trabalho com material reciclado - material de primeira, diga-se de passagem. Obviamente que algo bom e de valor artístico como este não recebeu tanto destaque nem foi single oficial (apenas um promo). No final das contas: ponto para a Gadú...