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terça-feira, 7 de junho de 2011

AMR - On The Floor (Jennifer Lopez)

Análise: Primeiro single do álbum Love? da Jennifer Lopez. Lançado em Fevereiro, alcançou #3US e #1UK.


Jennifer Lambada?

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Após o álbum Brave se tornar sua pior investida comercial e Jennifer Lopez tentar comover seu público cantando sobre sapatos em "Louboutins", a chamada J-Lo agora está recorrendo ao passado para tentar se manter e aparecer. Isso é mais ou menos o que quase todo mundo anda fazendo por aí e o que os rappers já deixam anotado em seus bloquinhos de como fazer um rap. Agora eu pergunto: tendo as duas alternativas anteriores fracassado (o single "Louboutins" foi tão mal sucedido que deixou o posto de single carro-chefe e ficou de fora do álbum Love? e ajudou a encerrar o contrato com a Epic Records), será que a terceira é relevante?

Bem, vamos voltar aos anos 80. Em 1981 uma banda Folk da Bolívia, Los Kjarkas (que existem desde meados dos anos 60) lançou uma canção chamada "Llorando Se Fue". A princípio, não é exatamente uma canção muito fácil ou popular - mas houveram, ainda sim, várias outras versões feitas através dos anos 80 e até mesmo posteriormente.

E a mais famosa e mais bem sucedida versão veio de 1989 de um grupo francês chamado Kaoma. Como é que é? Kaoma é francês?? Sim, em partes. Os membros do grupo são de Martinica, Guadalupe e Brasil. E a vocalista, Loalwa Braz é a parte brasileira da coisa (carioca, pra ser mais específico). Um dos maiores sucessos da Lambada no Brasil é cantado por uma brasileira com um grupo formado na França. Isso sim é globalização!

Ou seja, de uma certa maneira, Jennifer Lopez se apoiou na lambada para seu próximo projeto. Só falta um dueto com o Beto Barbosa para a coisa ficar completa.


A presença do Pitbull ficou meio irrelevante. Esse cara já tá enchendo o saco - tá parecendo uma espécie de Timbaland versão cubana (ele tá muito, muito longe do que fez em sua participação no single do Usher, "DJ Got Us Falling in Love", que deve ser seu único momento memorável). Se tivesse colocado, sei lá, um cactus, um charuto (cubano) no lugar dele, muito provavelmente nem se notaria...

A canção é um Electropop ajustado ao estilo da chamada J-Lo, seja lá o que isso signifique. Entrega o que o pessoal quer: uma batida onde possam dançar enquanto enchem a cara. E apesar de alguns poucos momentos soar como algo dos anos 90 ou algo feito pelo Bob Sinclair (poucos, bem poucos momentos, devo ressaltar), Lopez não se saiu mal não. Esta é possivelmente sua melhor canção desde, sei lá, "I'm Glad" de 2003 ou "Love Don't Cost a Thing" de 2000.

Nos Estados Unidos, ela está sem um #1 desde 2003 (o que deve ter piorado as coisas entre ela e a Epic). Se ela continuar assim, pode voltar aos trilhos. Mas acredito que ela pode ser melhor ainda evitando duas coisas: falar de assuntos idiotas como sapatos e pele de animais.


Obs: Até mesmo um joguinho de Nintendo chegou a samplear "Llorando Se Fue". O game Parasol Stars, de 1991:

domingo, 29 de março de 2009

AMR - Amor e Sexo (Rita Lee)

23/12/2010 - Seguindo a lógica de aperfeiçoamento (conceito) dos artigos AMR (Análise Musical Rápida), este artigo será substituído por outro dentro do atual contexto. Para ler o texto original, clique aqui.

Análise: Single do álbum Balacobaco, da cantora Rita Lee. Lançado no final do ano de 2003.


Acho que essa é a letra mais fácil da Terra... não?

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A titia Rita Lee mostrou que, com seus 61 anos de idade, caminhando para a terceira idade, ainda consegue cantar sem problemas ou imperfeições gritantes (pelo menos isso em estúdio). Porém, apesar de ainda se mostrar em forma e o álbum Balacobaco ter vendido mais de meio milhão de cópias, ele acabou sendo seu último trabalho em estúdio (o álbum é de 2003). Talvez ela não tenha mais nada a dizer, mas isso não é desculpa, pois existe muita gente que pode dizer por ela (escrever para ela) e um novo trabalho simplesmente florescer (Stevie Wonder de um grande exemplo com seu último álbum, A Time to Love de 2005 - que neste caso, teve as letras e canções escritas e produzidas por ele mesmo).

Após o lançamento de Balacobaco, temos ainda um disco ao-vivo e show em Dvd Rita Lee MTV Ao Vivo, de 2004 e um disco ao-vivo e show em Dvd Rita Lee Multishow Ao Vivo, de 2009. Apesar de serem apenas dois lançamentos no período de 7 anos, dá pra ver que Rita ainda está minimamente ativa. Fora este projetos, uma coletânea, Rita Lee Hits, foi lançada em 2005. E Rita acabou não aceitando o convite de seus antigos colegas de banda, Os Mutantes, para se juntar a eles num revival dos velhos tempos alegando conflito de agenda (a cantora Zélia Duncan foi convidade para substituí-la).


Agora, sobre o single "Amor e Sexo": é uma canção nacional de fácil apelo comercial que engloba um assunto igualmente fácil (apesar de controverso em alguns momentos). O fundo musical tranquilo com base em violão e a voz ainda fluente de Rita são um cartão de visitas e tanto para as rádios FM do gênero. Porém, a letra realmente não é lá essas coisas. Partes como "O amor nos torna patéticos/sexo é uma selva de epiléticos" são realmente dispensáveis e constrangedoras. Não sei se foi Rita, seu marido e produtor Roberto de Carvalho ou se o jornalista e diretor de cinema Arnaldo Jabor o responsável por esta linha, mas seja lá quem for não estava muito interessado em fazer força para escrever algo realmente contundente poeticamente falando.

Após isso, só posso pensar que o que a tia Rita fez de interessante mesmo foi o álbum Aqui, Ali, em Qualquer Lugar, que é uma releitura dos clássicos dos Beatles. A sua versão de "If I Fell" até que é bem bonitinha - se bem que está uma canção tão fácil de ser bonita que não é exatamente um mérito - até mesmo Adam Levine do Maroon 5 a gravou!