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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

AMR - Coincidências 4


O Coincidências de hoje não vai ser muito profundo e abrangente simplesmente porque parte do contexto do artigo não permite tal possibilidade. Onde digo "parte do contexto do artigo" entenda como "uma música de César Menotti & Fabiano dificilmente pode ser descrita com muito critério".
Bem, vamos ao que interessa...

Quem nunca ouviu aquela canção que tem o refrão "eu vou fazer um leilão/quem dá mais pelo meu coração"? Bem, os responsáveis pela pérolas são os irmãos-gordinhos-e-simpáticos, César e Fabiano. Mais uma das milhares de duplas de Sertanejo Universitário que andando seu reproduzindo por aí.


Além de "Leilão", outra canção de sucesso da dupla é "Ciumenta", onde o narrador reclama insistentemente que sua "metade da laranja" não larga do seu pé por causa do ciúme. Bem, pode não ser algo novo, mais com certeza tem mais variedade que o irritante filão "você não me quis, agora é tarde e vou aproveitar a vida" que se ouve direto por aí.


Agora, todo mundo conhece a banda Dire Straits, o guitarrista Mark Knopfler e sua canção-símbolo, "Sultans of Swing". Inclusive fiz um artigo especial sobre ela, que pode ser lido aqui.


É simples assim, só escutar as duas introduções. Não vamos nem considerar o restante da canção, o que poderia ser encaixado entre as duas ou não, apenas a introdução:


"Sultans of Swing" em versão "country"? Nah!!

Temos que concordar que os acordes e o ritmo são muito parecidos. Será que os gordinhos são fãs, curtem um Rock clássico? Tudo bem que no caso de qualquer canção, uma hora ou outra uma melodia poderia acabar se repetindo. Mas tinha que ser logo entre um Rock Clássico do bom e mais uma canção de Sertanejo Universitário??

Coincidência?

Bem, parece que não. Mas é mais provável um plágio não-intencional. Afinal, você acredita que uma dupla como César Menotti & Fabiano conheçam artistas como Dire Straits ou músicas como "Sultans of Swing"? Fala sério né...

sábado, 14 de agosto de 2010

AMR - 70's Jukebox 9

Artista: Gerry Rafferty (16/04/1947)
País de Origem: Escócia
Estilo: Rock
Hits: "Can I Have My Money Back?" com "So Bad Thinking", "Night Owl", "Wastin' Away", "Baker Street"
Hit da Jukebox: "Baker Street" (1978, #2US - #3UK)


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Entre 1965 e 1970, uma banda chamada The Humblebums lançou 3 álbuns, 2 singles e acabou. Nada de mais até aqui. Esta banda foi a primeira incursão musical de Gerry Rafferty, que pouco depois formou o Stealers Wheel, que foi de 1972 a 1975, lançando 3 álbuns. Foram mais duas bandas meio que soltas nos anos 70, mas que serviram para Gerry ter uma base do que é e como fazer as coisas acontecerem no show business.

Ambas as incursões não foram muito longe e uma delas até custou um pouco para Rafferty: problemas judiciais com o fim de sua segunda banda o impediram de gravar (lançar) material solo por aproximadamente 3 anos. Ou seja, Gerry só pôde lançar seu segundo álbum (o primeiro saiu em 1972, possivelmente antes de formar o Stealers Wheel) em 1978.


City to City foi lançado em 1978, após os 3 anos de esperar - que deram tempo para a concepção de um trabalho bem interessante. Seu primeiro single foi a canção "Baker Street" (a respeito de uma rua de Londres). Dificuldades com uma passagem de guitarra marcaram a gravação do single, até que o saxofonista Raphael Ravenscroft sugeriu tentar gravar um solo de saxofone no lugar da frase de guitarra. E nada poderia ter sido mais certo, o solo se tornou um dos mais conhecidos e citados solos de sax do mundo - até mesmo Lisa Simpson (ela mesma, filha de Homer Simpson, do seriado animado), aprendiz do instrumento, tocou esta canção em um episódio.

Tanto como referencial quanto para a cultura (pelo menos lá na Inglaterra), este, a princípio, simples e descompromissado solo se tornou o maior atrativo da faixa. Só um detalhe: se o grande guitarrista Andy Fairweather-Low, que participou da gravação de uma canção do álbum, tivesse sido chamado para este projeto, provavelmente não haveriam dificuldades com relação ao solo em guitarra.

Ainda sobre o solo: ele conseguiu ser tão emocionante em uma canção Pop quanto foi, por exemplo, "Your Latest Trick" do Dire Straits e tão marcante (enquanto referencial) quanto os saxofones utilizados em algumas canções da banda Men At Work ("Overkill", só para citar uma). Aposto que esta canção foi e ainda é o motivo de muita gente ter tentando aprender a tocar o instrumento.


A força que a canção e seu poderoso solo de saxofone incitam nos fazem pensar em algo introspectivo e melancólico. A voz de Gerry também se faz mais branda, de quem quase implora enquanto canta. Mesmo sendo simplesmente despretensioso, Rafferty acabou fazendo algo suntuoso e perfeitamente audível. Um Rock de qualidade. Não dá para ignorar o solo de guitarra também, que aparece com uma fúria grande, perfurando a força melancólica do instrumento de sopro.

"Baker Street" ainda é muito apreciada em rádios FM especialistas em Rock e canções easy em geral. E já foi estranhamente tocada pela banda Foo Fighters! Isso sim é diversidade...

sábado, 31 de julho de 2010

AMR - Pérolas do "Pop" 4: Sultans of Swing

Uma das maiores bandas de Rock surgidas nos anos 70, o Dire Straits (chamados assim devido à problemas financeiros da banda na época de sua criação) trouxe para o mundo diversas pérolas do Rock e revelou um dos melhores guitarrista daquele séculos: Mark Knopfler.

Mark e seu talento o coloca ao lado de grandes guitarristas como Jimmy Hendrix (Experience), Eric Clapton (The Yardbirds, John Mayall Band, Cream e outros), Brian May (Queen) e até mesmo o mais antigo Hank Marvin (The Shadows). Aliás, quantas vezes músicos como Mark e Clapton não se reuniram com outros como Elton John, Phil Collins, Paul McCartney, Sting, Ray Cooper e George Harrison para tocar juntos em shows - com certeza, espetáculos únicos.


Single de estréia de uma das bandas mais importantes e bem sucedidas do Rock no mundo. Além de ser uma das melhores estréias de uma banda, é uma peça significativa e um representante importante do estilo no mundo.

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Sobre a banda: O Dire Straits foi formado em 1977 pelos membros Mark Knopfler (vocais e guitarra solo), David Knopfler (guitarra rítmica e vocais), John Illsley (baixo e vocais) e Pick Withers (bateria e percussão). Apesar de no início terem sido um tanto quanto esnobados pela crítica com sua canção de estréia, o Dire Straits foi escalando lentamente o morro do sucesso com seu Rock diferenciado e criativo. Com 6 álbuns de material original e 23 singles, venderam mais de 120 milhões de cópias dos seus discos.

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"Sultans of Swing" foi escrita por Mark Knopfler, se tornando o primeiro trabalho comercial de sua banda, o Dire Straits - formada junto com seu irmão David Knopfler. A letra parece falar da vida underground dos músicos de Londres, algo meio obscuro, parecendo a vida de músicos de rua ou de pubs:

You check out Guitar George, he knows all the chords
Mind he's strictly rhythm he doesn't wanna make it cry or sing
Yes and an old guitar is all he can afford
When he gets up under the lights to play his thing

And Harry doesn't mind if he doesn't make the scene
He's got a daytime job, he's doin' alright
He can play the honky tonk like anything
Savin' it up for Friday night
With the Sultans... with the Sultans of Swing

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Você repara no guitarrista George ele sabe todos os acordes
Sinto que ele é bem afinado e não quer fazer choro ou cantar
E uma velha guitarra é tudo o que ele pode oferecer
Quando ele fica embaixo das luzes para tocar suas coisas

E Harry não se incomoda se ele não fizer a cena
Ele trabalha diariamente e faz tudo certo
Ele pode tocar em cabarés gratuitamente
Reservando especialmente sexta à noite
Com os Sultões... com os Sultões do balanço


A versão demo da canção foi produzida pela banda e lançada em 1978, porém sequer chegou aos charts. Mas claro que Mark e sua banda não desistiram, foram a luta. A versão oficial, produzida por Muff Winwood (músico e produtor, irmão do famoso músico Steve Winwood) que conhecemos hoje, foi lançada em 1979 e conseguiu um destaque maior desta vez. Curiosamente, alcançou um certo reconhecimento uns 6 meses após o lançamento do álbum de estréia Dire Straits. Muito culpa das rádios que não se afeiçoaram de imediato com a canção - possivelmente por ser algo avançado demais, à frente no tempo.

Inclusive, nesta época a banda abria os shows para ninguém mais ninguém menos que o Talking Heads - na boa, o Talking Heads e seu ex-líder David Byrne são ótimos, mas o Dire abrir pra eles, analisando sob a óptica atual, não faz nenhum sentido algum - tanto quanto não fez sentido o Velvet Underground abrir para o U2 nos anos 90.


O trabalho nas guitarras parece ter sido muito intenso, mas acredito mais na hipótese de que a criatividade e habilidade de Mark no seu instrumento transparecem um "trabalho de um mestre nas cordas com muitos e muitos anos de estrada". Fora que Mark é um daqueles músicos com uma capacidade criativa incrível - seus improvisos em shows são aclamados desde o público até a exigente crítica. Inclusive, Bob Dylan ficou tão impressionado com a canção que chamou Mark e o baterista Pick Withers para tocarem em seu álbum Slow Train Coming, de 1979.


Aliás, revistas e publicações, como o Guitar World e a Rolling Stones, colocaram o solo desta canção na lista dos melhores da história - ainda não consigo entender como publicações como estas fazem rankings de guitarristas e acabam deixando gente como Jack White na frente de músicos como Knopfler! é simplesmente uma heresia. O guitarrista - com seus 29 anos - compôs um solado que, graças a sua capacidade de improvisar, pode variar de maneira muito interessante nas interpretações da canção em shows.


Alguns acusam o Dire Straits de não ter nada mais representativo que "Sultans of Swing". Isso é sem dúvida uma tremenda injustiça. Esta canção é, com certeza, o Magnum Opus da banda, mas clássicos como a balada "Romeo and Juliet", "Private Investigations", "Tunnel of Love" e "Your Latest Trick"; as mais agitadas e divertidas "Money for Nothing", "Walk of Life", "Calling Elvis" e "Heavy Fuel" e a emocionante "Brothers in Arms" são exemplos da criatividade e talento da banda.

A influência da banda e do seu líder não é tão explícita, mas com certeza inspirou e inspira vários artistas pelo mundo com relação ao que possa ser chamado de Art Rock ou o simples Rock and Roll.

O vídeo a seguir mostra um show da banda em tributo aos 70 anos de Nelson Mandela, em Londres. Eric Clapton se junta a Mark na interpretação deste clássico. Uma grande canção, com dois grandes guitarristas: